
No dia 24 de janeiro de 2026, das 10h às 18h, a capital paulista será palco de um dos mais importantes encontros de valorização da cultura afro-brasileira: a 30ª edição da Feira Ilê-Ifé, que neste ano traz como tema central “Revolta dos Malês”, um dos episódios mais emblemáticos da resistência negra no Brasil.
Realizada na Avenida Indianópolis, 2518, próximo ao Metrô São Judas, a feira transforma o espaço urbano em território de memória, identidade e afirmação histórica, reunindo arte, educação, ancestralidade e debate político-cultural em pleno coração de São Paulo.
A Revolta dos Malês: história que resiste
Ao escolher a Revolta dos Malês como eixo temático, a Feira Ilê-Ifé propõe mais do que uma homenagem: promove um resgate crítico de um levante que, em 1835, desafiou o sistema escravocrata brasileiro. Liderada por africanos muçulmanos escravizados, a revolta simboliza organização, consciência política e resistência intelectual negra — elementos historicamente silenciados nos livros oficiais.
Trazer esse tema para o presente é um gesto político e pedagógico. A feira convida o público a refletir sobre como os ecos daquele levante ainda reverberam nas lutas contemporâneas contra o racismo estrutural, a intolerância religiosa e a exclusão social.
Cultura como instrumento de educação
A imagem que ilustra o evento — o sorriso de uma mulher negra com turbante — não é apenas estética: ela representa a continuidade de um legado ancestral que sobrevive apesar das tentativas de apagamento histórico. A Feira Ilê-Ifé reafirma a cultura como ferramenta de educação popular, ocupando o espaço público com saberes afrocentrados, expressões artísticas, gastronomia, artesanato e manifestações tradicionais.
A organização do evento conta com parcerias culturais e apoio institucional, fortalecendo redes comunitárias e reafirmando o papel da sociedade civil na preservação da memória afro-brasileira.
Um ato de resistência em tempos de esquecimento
Em um país onde a história negra ainda é frequentemente marginalizada, a 30ª edição da Feira Ilê-Ifé se consolida como um ato de resistência coletiva. Manter viva a memória da Revolta dos Malês é também confrontar narrativas oficiais e reivindicar o direito à história contada a partir de quem resistiu.
Mais do que uma feira, o evento se firma como espaço de formação política, encontro intergeracional e reafirmação identitária, lembrando que preservar a memória é um gesto de justiça histórica.

































