São Paulo – O Carnaval de Rua de São Paulo ganhará, em 2026, um dos seus momentos mais simbólicos, históricos e politicamente culturais. No dia 11 de fevereiro (quarta-feira), a partir das 19h, na Rua Treze de Maio, nº 37, esquina com a Rua Santo Antônio, no coração do Bixiga / Bela Vista, a tradicional Banda do Candinho levará às ruas um desfile que une festa, memória e identidade popular.
Com o tema “Heróis do Bixiga”, a agremiação homenageará, in memoriam, homens que dedicaram suas vidas ao desenvolvimento social, cultural e comunitário de um dos bairros mais emblemáticos da capital paulista.
Carnaval como patrimônio e narrativa histórica
Inspirado livremente no clássico de Os Três Mosqueteiros, do escritor francês Alexandre Dumas, o enredo propõe uma releitura popular do lema “Um por todos, todos pelo Bixiga”. A ideia é simples e potente: transformar figuras reais do bairro em heróis coletivos, símbolos de uma São Paulo que resiste à especulação, ao apagamento cultural e à perda de memória urbana.
Os homenageados: heróis da vida real
O desfile lembrará trajetórias que marcaram o Bixiga muito além do Carnaval:
- Armando Pugliese
- Armandinho do Bixiga
- Walter Taverna
- Egydio Coelho da Silva
- Dr. Nelson Abreu Pinto
São nomes ligados ao comércio, à cultura, à vida associativa, ao cuidado comunitário e à construção cotidiana do bairro. Pessoas que, longe dos holofotes, sustentaram o Bixiga como território de diversidade, convivência e resistência cultural.
Uma banda, um território, uma posição política
Fundada em 1981, a Banda do Candinho é mais que uma agremiação carnavalesca: é instrumento de preservação da memória popular. Sob a presidência de Candido José de Souza Neto – Candinho Neto, jornalista, bacharel em Direito, carnavalesco e Embaixador do Carnaval de Rua de São Paulo, a banda reafirma o Carnaval como espaço de disputa simbólica.
Em tempos de mercantilização da festa e gentrificação do centro, o desfile assume caráter polêmico e necessário, ao defender que o Carnaval também é política pública, direito cultural e expressão legítima da cidade real.
O Bixiga como protagonista
Levar o desfile à Rua Treze de Maio não é acaso. É um gesto de afirmação territorial. O Bixiga, berço de tradições negras, italianas, nordestinas e populares, segue sendo palco de luta pela preservação de sua identidade. A Banda do Candinho transforma a rua em palco, a memória em enredo e o povo em protagonista.

































