Campinas (SP) — Em um momento em que o Brasil ainda enfrenta índices alarmantes de violência de gênero, a presença da secretária municipal da Mulher de Taboão da Serra, Andreia Franquini, no debate do Pacto Nacional contra o Feminicídio, realizado nesta quarta-feira 18/03/2026, na Câmara Municipal de Campinas, revela mais do que participação institucional: aponta para uma disputa política e social urgente — quem, de fato, está comprometido em transformar discurso em política pública efetiva?
O encontro contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e reuniu lideranças femininas, representantes sindicais, ativistas e gestoras públicas de diferentes regiões do estado. A cena registrada — um auditório cheio, diverso e mobilizado — simboliza a crescente pressão da sociedade por respostas concretas.
O peso dos números e a urgência do pacto
O feminicídio, tipificado como crime hediondo no Brasil desde 2015, continua avançando. Dados recentes apontam que o país ainda registra uma mulher assassinada a cada poucas horas em contextos de violência doméstica ou de gênero.
O chamado Pacto Nacional contra o Feminicídio surge como tentativa de articular União, estados e municípios em torno de ações integradas — mas especialistas alertam: sem orçamento, monitoramento e responsabilização, o pacto corre o risco de se tornar apenas mais uma carta de intenções.
Taboão da Serra entra no debate — protagonismo ou pressão política?
A participação de Andreia Franquini ganha relevância ao colocar Taboão da Serra no mapa de uma agenda nacional. Nos bastidores, porém, a pergunta que ecoa é direta:
o município está preparado para implementar, na prática, as diretrizes discutidas em nível federal?

A presença da secretária ao lado da ministra reforça articulações políticas, mas também aumenta a cobrança por resultados locais, como:
- ampliação de casas de acolhimento;
- fortalecimento da rede de proteção;
- capacitação de agentes públicos;
- campanhas educativas contínuas.
A força das mulheres organizadas
o evento mostram algo que vai além da formalidade institucional: mulheres organizadas, diversas e politizadas. Sindicatos, coletivos e lideranças comunitárias marcaram presença, evidenciando que a pauta do feminicídio não é apenas governamental — é social.
Faixas, documentos e manifestações indicam que há um movimento vigilante, que não aceita retrocessos e cobra políticas públicas efetivas.
Entre o discurso e a prática: o desafio que permanece
O debate em Campinas escancara um ponto central:
o Brasil já avançou no campo legal, mas ainda falha na execução.
A presença de autoridades como Márcia Lopes e Andreia Franquini reforça a importância do tema, mas também expõe a necessidade de:
- integração real entre esferas de poder;
- financiamento consistente;
- transparência nas ações;
- participação popular ativa.
O encontro desta quarta-feira não foi apenas mais um evento institucional. Foi um termômetro político e social.
Se por um lado simboliza avanço no diálogo federativo, por outro escancara a urgência de transformar compromissos em ações concretas — especialmente nos municípios, onde a violência acontece e onde a proteção precisa chegar primeiro.
































