Em meio a novas manifestações de intolerância religiosa contra membros do clero anglicano, a Prelazia Anglicana Jesus Salvador de São Paulo publicou uma nota de solidariedade ao Monsenhor Luiz Ricardo Xavier, pertencente à Prelazia Anglicana dos Pampas.
O documento denuncia episódios de perseguição e campanhas de deslegitimação movidas por setores ligados à Igreja Católica Romana e grupos intolerantes. Segundo o texto, as críticas ultrapassam o campo pessoal e atingem a própria legitimidade do anglicanismo no Brasil, tradição cristã que celebra o mesmo Cristo, partilha os mesmos sacramentos e professa a mesma fé apostólica – ainda que independente de Roma.
A Diocese Anglicana Católica do Brasil (DACB), que conferiu o ministério ao monsenhor, é mencionada como instituição autônoma, herdeira da fé una, santa, católica e apostólica, mas livre de vínculos canônicos com o Vaticano.
Um chamado à fraternidade cristã em tom pastoral, a prelazia lamenta o recrudescimento de discursos que, em vez de revelarem zelo doutrinal, acabam por afastar corações do mandamento maior de Jesus: o amor ao próximo. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22,39) A nota destaca que o verdadeiro discipulado não se faz pela imposição ou condenação, mas pelo testemunho da caridade e do serviço. A Igreja recorda que Cristo não excluiu quem O seguiu com sinceridade, mesmo quando os caminhos eram diversos. Onde há amor e fé, ali está o Corpo de Cristo. O eco de velhos fantasmas A Diocese adverte ainda contra a volta de práticas e discursos reminiscentes da Idade Média, quando o medo da excomunhão era usado como instrumento de controle.
“A ameaça espiritual jamais pode ser usada como arma humana. A Igreja de Cristo é lugar de libertação, não de medo.”
O texto convida os fiéis a recordarem que ninguém tem poder absoluto sobre a graça de Deus, e que a salvação é dom gratuito oferecido em Cristo. Nenhuma instituição, por mais antiga ou poderosa que seja, pode monopolizar o mistério da fé. Fé, liberdade e diálogo O Brasil, como Estado laico e diverso, garante o exercício livre das confissões religiosas. A liberdade de consciência e de culto é uma conquista civilizatória e um princípio evangélico. Por isso, a DACB afirma que se defenderá com serenidade e firmeza, utilizando “todos os meios legítimos”, mas sem jamais ceder à retaliação. “Responderemos sempre com a verdade, mas também com o amor de Cristo”, diz o comunicado. de reconciliação O episódio reacende debates antigos: até onde vai a crítica teológica sem se tornar intolerância? E como diferenciar defesa da fé de ataques à alteridade?
Para a Diocese, o caminho é o diálogo, sustentado pela humildade e pelo perdão. O verdadeiro catolicismo — entendido como a universalidade da experiência de Cristo — acolhe e não oprime. “Cristo não veio fundar impérios, mas libertar consciências”, encerra a nota, recordando que a missão da Igreja não é dominar, mas reconciliar.
A Diocese Anglicana Católica do Brasil reafirma sua vocação de servir com amor e fidelidade ao Evangelho, pedindo orações “por todos os que sofrem perseguição por causa do Nome”. E conclui com a certeza de que nenhum coração que ama pode ser separado da graça divina
































