Em um país que ainda luta para democratizar seus espaços de fala, o programa FALA AÍ TATI surge como uma experiência ousada de comunicação, cultura e resistência. Inspirado na tradição histórica da imprensa negra brasileira — que em 14 de setembro de 1833 lançou o jornal O Homem de Cor — o programa se apresenta como uma continuidade contemporânea dessa trajetória: comunicação feita por pessoas negras, para ampliar vozes e disputar narrativas.
Hoje, o FALA AÍ TATI se consolida como o primeiro programa de entrevistas com plateia conduzido por uma mulher negra no Brasil, reunindo público, artistas e convidados em um formato híbrido que mistura jornalismo, cultura, música e debate social.
O programa rompe com modelos tradicionais de entrevistas ao transformar o palco em um espaço de encontro entre diferentes expressões culturais. Em cada edição, o público acompanha desfiles de moda assinados por estilistas que valorizam diversidade e liberdade criativa, apresentações musicais de artistas da periferia, discotecagem com DJs especializados em Black Music, além de entrevistas que abordam carreira, superação e enfrentamento ao racismo estrutural.
Mais do que entretenimento, o formato aposta na comunicação como ferramenta educativa. As entrevistas buscam destacar trajetórias profissionais, vitórias conquistadas e exemplos concretos de enfrentamento ao racismo, criando um ambiente que inspira especialmente jovens e adultos vindos de territórios periféricos.

Outro elemento simbólico do projeto está na escolha dos espaços onde o programa acontece. Ao levar a plateia periférica para regiões centrais da cidade de São Paulo, tradicionalmente associadas a ambientes elitizados, o FALA AÍ TATI transforma o próprio espaço urbano em parte da mensagem.
A proposta é simples e poderosa: normalizar a presença de pessoas negras e periféricas em lugares historicamente associados ao poder econômico e cultural da cidade.
Desde a criação do formato presencial, em novembro de 2024, o programa já realizou mais de 50 entrevistas nesse modelo, recebendo convidados de áreas diversas como direito, psicologia, gastronomia, dramaturgia, música e empreendedorismo.
O espaço do palco ficou conhecido como “o sofá da Tati”, onde diferentes histórias de vida são compartilhadas diante da plateia, muitas vezes com humor, críticas sociais e momentos de forte emoção.
À frente do projeto está Tati Regina Amiel, que carrega uma trajetória profundamente ligada à educação. Nascida no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, Tati dedicou 27 anos à área educacional antes de migrar para a comunicação.
Gestora educacional, professora, escritora e comunicóloga, ela criou o programa a partir de uma convicção clara: educação e comunicação são ferramentas poderosas para enfrentar desigualdades e violências sociais.
Sob seu comando, o FALA AÍ TATI se tornou também um projeto coletivo. A produção conta com uma equipe majoritariamente formada por mulheres e com a participação de seus filhos na construção do programa, ampliando o caráter familiar e comunitário da iniciativa.
O resultado é um projeto que combina debate público, cultura negra, entretenimento e formação cidadã.
O programa completa um ano do formato com plateia no dia 31 de março, consolidando-se como uma iniciativa inédita dentro do cenário da comunicação brasileira.
Mais do que um programa de entrevistas, o FALA AÍ TATI se apresenta como uma plataforma de diálogo social e afirmação cultural.
Nas palavras que sintetizam o projeto:
“FALA AÍ TATI – A voz que educa e transforma consciências.”
































