Fé, política e espetáculo: a encenação que virou vitrine de poder em Taboão da Serra

Na noite da última sexta-feira (03/04/2026), oParque das Hortênsias, em Taboão da Serra, foi palco de uma das maiores manifestações culturais e religiosas da região: a67ª encenação da Paixão de Cristo. Com público estimado em cerca de 8 mil pessoas, o evento reafirma sua força histórica — mas também escancara a crescente fusão entre fé, cultura e capital político.

O prefeito engenheiro Daniel e a vice-prefeita Érica Franchini marcaram presença ativa, circulando entre público, imprensa e bastidores. A proximidade com a população, mas também uma estratégia recorrente: ocupar espaços simbólicos de grande e popular.

A cobertura intensa da imprensa e o contato direto com veículos reforçam o caráter público — e político — da participação. Em tempos de alta competitividade eleitoral, eventos como este deixam de ser apenas celebrações religiosas e passam a funcionar como palcos de legitimação e visibilidade.

 Plateia cheia, bastidores ainda mais

A plateia, diversa e numerosa, reuniu moradores, famílias e lideranças políticas e Religosas. Entre os presentes, vereadores como Carlinhos do Leme, Dr. Ronaldo Onishi, Galo, Donizete e Dídio Conceição, além de todo o secretariado municipal.

O evento também contou com a presença de figuras políticas de peso regional, como o ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos, sua irmã, a deputada federal Ely Santos, e o ex-prefeito Fernando Fernandessinalizando que a encenação ultrapassa as fronteiras culturais e se consolida como ponto de encontro estratégico da classe política.

O destaque institucional ficou por conta da Secretaria Municipal de Cultura, sob comando do maestro Edson, e da Secretaria de Turismo, liderada por Lucas do Leme. A qualidade técnica da produção, elogiada por autoridades e público, demonstra avanço na profissionalização do evento.

 Entre tradição e capital político

A encenação da Paixão de Cristo em Taboão da Serra é, sem dúvida, um patrimônio cultural consolidado ao longo de décadas. No entanto, o evento também levanta questionamentos legítimos:

  • Até que ponto manifestações religiosas públicas devem ser utilizadas como vitrines políticas?
  • Há equilíbrio entre investimento cultural e promoção institucional?
  • A presença massiva de autoridades fortalece a democracia ou instrumentaliza a fé popular?

A linha que separa celebração cultural de estratégia política é tênue — e cada vez mais visível.

Um espetáculo que reflete a cidade

Com forte adesão popular, organização estruturada e presença política expressiva, a 67ª encenação da Paixão de Cristo consolida Taboão da Serra como referência regional em eventos culturais. Ao mesmo tempo, expõe a dinâmica contemporânea da política local: presença, visibilidade e narrativa.

Mais do que um espetáculo religioso, o evento se transforma em um retrato fiel da cidade — onde fé, cultura e poder caminham lado a lado.

Redação Geral Gazzeta Paulista
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