Brasília – A reunião realizada na última Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, no Palácio do Planalto, ganhou ainda mais relevância política e social com a confirmação de que o fim da escala de trabalho 6×1 esteve entre as principais pautas discutidas entre representantes do movimento sindical e a Secretaria-Geral da Presidência da República Guilherme Boulos.
Participaram do encontro Guilherme Boulos, Rosangela Santos, Edson Bertoldo e Luciano Pereira Leite, representando o Sindicato dos Comerciários de Osasco e Região, ao lado do ministro responsável pela articulação institucional com os movimentos sociais.

A pauta que mexe com milhões de trabalhadores
A escala 6×1 — seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso — é uma das formas mais criticadas de organização da jornada laboral no Brasil, especialmente no setor do comércio e serviços. Embora prevista na legislação, ela é frequentemente apontada como fator de adoecimento físico, mental e social, além de dificultar a convivência familiar e a qualificação profissional.
Ao colocar o fim da escala 6×1 na mesa do Palácio do Planalto, o movimento sindical eleva o debate a um patamar histórico, pressionando o Estado a repensar um modelo de trabalho herdado de uma lógica produtiva do século passado.

Debate histórico e inevitavelmente polêmico
A discussão não é consensual.
De um lado, sindicatos defendem que reduzir a jornada e ampliar o descanso semanal é medida de saúde pública, dignidade humana e modernização das relações de trabalho.
De outro, setores empresariais argumentam que o fim da escala 6×1 pode gerar impactos econômicos, aumento de custos e necessidade de reestruturação operacional.
É justamente nesse choque de interesses que o encontro ganha caráter político: o governo volta a assumir o papel de mediador direto entre capital e trabalho, algo que marcou períodos decisivos da história trabalhista brasileira.
Dimensão didática: o que significa acabar com a escala 6×1?
Na prática, o debate envolve:

- Mais dias de descanso para o trabalhador
- Melhor qualidade de vida e produtividade
- Reorganização das escalas, sem necessariamente reduzir salários
- Atualização da legislação trabalhista diante das novas dinâmicas sociais
Trata-se menos de “trabalhar menos” e mais de trabalhar melhor, com impactos diretos na economia, na saúde e na coesão social.
Um sinal político claro
Ao receber sindicalistas e discutir o fim da escala 6×1, o governo sinaliza abertura para rever estruturas tradicionais do mercado de trabalho. Para o Sindicato dos Comerciários de Osasco e Região, o encontro representa avanço concreto na luta histórica por jornadas mais humanas.
Mais do que uma reunião, o episódio marca um reposicionamento do debate trabalhista no centro do poder — e reacende uma pergunta essencial: até quando o Brasil sustentará modelos de trabalho que já não dialogam com a realidade social contemporânea?

































