São Bernardo do Campo (SP) — Um caso que reacende o debate histórico sobre a qualidade do atendimento prestado por planos de saúde privados veio à tona nesta semana e gerou forte repercussão entre familiares, pacientes e profissionais da área da saúde. O usuário Nelson Silva, conhecido popularmente como “Nelsinho Forte abraço”, denuncia grave falha no atendimento durante sua internação por meio dos convênios Hapvida e NotreDame Intermédica, na cidade de São Bernardo do Campo.
Segundo relatos encaminhados à Gazzeta Paulista, o paciente encontra-se internado em leito hospitalar, monitorado por equipamentos vitais, porém sem acompanhamento médico contínuo, situação que levanta questionamentos sérios sobre negligência, abandono assistencial e descumprimento de protocolos básicos de saúde.
Internado, monitorado… e sozinho
A imagem enviada à redação mostra o paciente deitado em leito hospitalar, conectado a monitor multiparamétrico, com sinais vitais sendo registrados. No entanto, familiares afirmam que não há médico responsável presente, tampouco visitas regulares de plantonistas, limitando o atendimento à equipe de enfermagem.
Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que monitoramento eletrônico não substitui avaliação clínica médica, especialmente em casos de internação que exigem diagnóstico, prescrição, reavaliação e tomada de decisões imediatas.
Um problema antigo, agora exposto
Casos semelhantes se acumulam ao longo dos anos e revelam uma crise estrutural no sistema suplementar de saúde no Brasil. A fusão e expansão de grandes operadoras, como no caso da Hapvida e NotreDame Intermédica, ampliaram o número de usuários, mas nem sempre vieram acompanhadas de investimento proporcional em equipes médicas e estrutura hospitalar.
A prática de manter pacientes internados sem acompanhamento médico efetivo pode caracterizar infração ética, administrativa e até criminal, dependendo da evolução clínica e dos danos causados ao paciente.
Direitos do paciente e possíveis medidas
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor e normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o usuário tem direito a:
- Atendimento médico adequado e contínuo
- Informação clara sobre seu estado de saúde
- Médico responsável pela internação
- Segurança e dignidade no tratamento
A família de Nelson Silva estuda formalizar denúncias junto à ANS, Ministério Público e Defensoria Pública, além de possíveis medidas judiciais.
Por que este caso importa
O caso de Nelsinho Forte Abraço não é isolado. Ele representa milhares de brasileiros que pagam planos de saúde acreditando estar protegidos, mas acabam enfrentando abandono, demora e precarização justamente no momento de maior vulnerabilidade.
A Gazzeta Paulista seguirá acompanhando o caso e cobrando esclarecimentos das operadoras envolvidas. Saúde não é favor, é direito. E silêncio, neste contexto, também adoece.

































