A advocacia paulista amanhece em luto com a confirmação do falecimento do procurador federal Marco Antônio Zito Alvarenga, nome de relevância institucional e simbólica dentro da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo.
A nota oficial divulgada pela Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (CAASP) não apenas comunica a perda, mas também revela a dimensão política e social de sua trajetória — um jurista que ultrapassou os limites técnicos da profissão para atuar diretamente em pautas sensíveis como igualdade racial e combate à discriminação.
UM NOME QUE ECOA ALÉM DO DIREITO
Marco Antônio não era apenas procurador federal junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Sua atuação ganhou destaque dentro da OAB paulista, onde presidiu a Comissão do Negro e de Assuntos Antidiscriminatórios — um espaço estratégico que, historicamente, enfrenta resistência estrutural e baixa visibilidade institucional.
Sua presença nesse cargo não foi meramente simbólica. Representou um avanço dentro de uma estrutura frequentemente criticada por sua distância das pautas sociais mais urgentes. Em tempos de debate acirrado sobre inclusão e equidade, sua atuação colocou o tema racial no centro das discussões jurídicas.
ENTRE O LEGADO E O SILÊNCIO INSTITUCIONAL
A morte de Marco Antônio levanta uma questão incômoda: quem ocupa os espaços de poder dentro das instituições jurídicas brasileiras?
Embora a nota da CAASP ressalte sua contribuição, o episódio reacende críticas antigas sobre a dificuldade de consolidação de lideranças negras em posições de influência no sistema jurídico. Sua trajetória, portanto, não é apenas motivo de homenagem — é também um alerta sobre a fragilidade desses avanços.
DESPEDIDA E COMOÇÃO
O velório será realizado no tradicional Cemitério Congonhas, localizado na Rua Ministro Álvaro de Sousa Lima, no Jardim Marajoara, nesta quarta-feira, 10 de abril, a partir das 7h, com sepultamento previsto para o meio-dia.
A despedida reúne não apenas familiares e amigos, mas também representantes da advocacia, membros de comissões e lideranças que reconhecem o impacto de sua atuação.
UMA PERDA QUE EXIGE MEMÓRIA ATIVA
Mais do que lamentar, a morte de Marco Antônio Zito Alvarenga exige continuidade. Seu legado impõe à OAB e às instituições jurídicas um desafio direto: transformar discurso em prática, ampliar espaços de representatividade e consolidar políticas efetivas de combate à discriminação.
A história recente mostra que figuras como ele não podem ser apenas lembradas — precisam ser sucedidas.
































