Em um cenário político cada vez mais polarizado e marcado por disputas narrativas sobre o papel do Estado, oMovimento de Moradia “Filhos da Terra”, do Jardim Apuanã, realizou um encontro estratégico nesta Segunda Feira dia 23/03/2026 com o dirigente sindical Moisés Selerges para discutir os rumos da conjuntura política em 2026.
o encontro revela mais do que uma simples reunião: trata-se de um retrato vivo da organização popular. Homens e mulheres de diferentes idades, muitos com gestos de afirmação e unidade, ocupam um espaço simples, porém carregado de simbolismo — a periferia como centro do debate político.
Base social em movimento
O “Filhos da Terra” surge como uma das expressões mais concretas da luta por moradia digna, um dos problemas estruturais históricos do Brasil. A reunião com uma liderança sindical de peso aponta para um movimento de convergência entre pautas urbanas e trabalhistas.

A presença de Moisés Selerges — figura ligada ao sindicalismo do ABC paulista — indica que o debate não ficou restrito à questão habitacional. Pelo contrário: avançou para temas mais amplos, como:
- Reorganização das forças populares
- Papel dos movimentos sociais no processo eleitoral de 2026
- Crise da representatividade política nas periferias
- Relação entre emprego, renda e direito à moradia
2026 no horizonte: disputa por protagonismo
O encontro ocorre em um momento em que movimentos de base tentam retomar protagonismo após anos de retração e desgaste político. A pergunta central que emerge é: quem representará, de fato, os interesses da periferia nas próximas eleições?
Há uma percepção crescente entre lideranças comunitárias de que apenas participar como “massa de apoio” já não é suficiente. A estratégia agora aponta para formação política, fortalecimento interno e eventual lançamento de candidaturas oriundas das próprias bases.

Entre a esperança e a desconfiança
Apesar do clima de união observado no encontro, também há tensão no ar. Parte dos movimentos sociais demonstra desconfiança com alianças tradicionais, especialmente com setores que historicamente dialogaram com as periferias, mas não conseguiram resolver problemas estruturais.
Esse sentimento abre espaço para um debate mais crítico e, por vezes, polêmico:
os movimentos devem manter vínculos com estruturas partidárias consolidadas ou buscar autonomia total?
Didática da política na prática
O encontro no Jardim Apuanã também cumpre um papel pedagógico. Em um país onde a política muitas vezes é distante do cotidiano da população, reuniões como essa funcionam como verdadeiras escolas de cidadania.
Ali, a política deixa de ser abstrata e passa a ser vivida:
- No debate coletivo
- Na escuta das demandas reais
- Na construção de estratégias comuns
O encontro entre o Movimento “Filhos da Terra” e o dirigente sindical Moisés Selerges não é um fato isolado — é um sinal claro de reorganização das bases populares diante de um ciclo eleitoral decisivo.
Mais do que discutir 2026, o que está em jogo é o modelo de participação política das periferias: coadjuvantes ou protagonistas?
































