Racha no PSD expõe fragilidade de projeto presidencial de Caiado e reforça hegemonia de Lula no Nordeste um pré-candidato isolado dentro do próprio partido

Mal oficializou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSD, no ultimo 30/03/2026 Caiado já enfrenta um problema estrutural: a ausência de unidade interna, especialmente no Nordeste, região estratégica em qualquer disputa nacional. Lideranças do partido nos nove estados nordestinos ignoraram, na prática, o lançamento de sua candidatura — um gesto político silencioso, mas altamente significativo.

Nordeste: o epicentro da resistência

O caso mais explícito vem de Sergipe. O governador Fábio Mitidieri não apenas evitou endossar Caiado como deixou claro que seguirá apoiando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, independentemente dos rumos do PSD nacional. A decisão, segundo sua assessoria, considera “as especificidades do contexto local” e a necessidade de manter estabilidade e continuidade administrativa.

A posição já foi comunicada diretamente ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, o que evidencia que o racha não é apenas regional — ele atinge o núcleo de comando da legenda.

Em Pernambuco, outro colégio eleitoral de peso, o comportamento segue a mesma linha. A governadora Raquel Lyra, recém-filiada ao PSD após deixar o PSDB, tem evitado qualquer alinhamento público com Caiado. Ao contrário, sua proximidade com Lula se intensificou, inclusive em eventos simbólicos como o Galo da Madrugada, onde apareceu ao lado do presidente e da primeira-dama Rosângela da Silva.

PSD: partido pragmático ou fragmentado?

O episódio escancara uma característica histórica do PSD: o pragmatismo regional. Diferente de siglas ideológicas, o partido opera com forte autonomia nos estados — o que, em momentos eleitorais, pode se transformar em fragmentação.

A tentativa de Caiado de construir uma candidatura nacional esbarra justamente nesse modelo. Sem coesão interna, sua pré-campanha nasce enfraquecida, dependente de alianças que ainda não se consolidaram.

Lula amplia vantagem estratégica

Enquanto isso, Lula consolida sua base no Nordeste — região onde já possui forte capital político. O apoio, ainda que informal, de governadores do PSD reforça sua posição e amplia a dificuldade de adversários em penetrar nesse eleitorado.

Na prática, o que se desenha é um cenário onde o PSD pode caminhar dividido em 2026: parte apoiando um projeto próprio com Caiado, e outra — possivelmente majoritária no Nordeste — alinhada ao atual presidente.

Análise: candidatura sob risco antes mesmo de decolar

O movimento revela mais do que um simples desalinhamento partidário. Trata-se de um teste de viabilidade política. Sem apoio consistente em regiões-chave, uma candidatura presidencial dificilmente se sustenta.

Caiado entra na disputa com discurso firme, mas base frágil. E, na política brasileira, força retórica sem articulação concreta costuma ter destino previsível.

Redação Geral Gazzeta Paulista
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