Reunião na Secretaria de Direitos Humanos reacende debate histórico sobre saúde trans em Taboão da Serra

Na manhã da sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania foi palco de uma reunião que ultrapassa o rito administrativo e se inscreve no campo histórico e político da luta por direitos. O secretário municipal Prof. Moreira recebeu Bruna Soares, enfermeira e coordenadora do Núcleo de Cuidados para Pessoas Transexuais e Travestis (NUCPTT) de Taboão da Serra.

O encontro, também expõe contradições — na construção de políticas públicas voltadas à população trans, historicamente excluída dos serviços básicos de saúde e cidadania.

Saúde trans: direito constitucional ainda em disputa

A pauta da reunião girou em torno do fortalecimento do NUCPTT, iniciativa que atende pessoas transexuais e travestis com foco no cuidado integral, acolhimento humanizado e respeito à identidade de gênero. Embora o Brasil possua diretrizes nacionais no SUS para a saúde LGBTQIA+, a implementação local ainda enfrenta resistências culturais, políticas e orçamentárias.

É nesse ponto que o encontro ganha contornos polêmicos:
👉 Por que políticas voltadas à população trans ainda são tratadas como “pauta identitária” e não como política de saúde pública?
👉 Por que o acesso ao cuidado digno segue dependendo da vontade política de gestores e não de uma estrutura permanente do Estado?

O papel do NUCPTT e a escuta institucional

Bruna Soares, à frente do Núcleo, apresentou desafios enfrentados pela equipe, como demanda crescente, necessidade de formação continuada dos profissionais e garantia de fluxos seguros dentro da rede municipal de saúde. A presença do secretário indica disposição para o diálogo intersetorial entre direitos humanos e saúde — algo ainda raro em muitas cidades brasileiras.

O secretário Prof. Moreira destacou que direitos humanos não são concessão ideológica, mas dever constitucional, e que a população trans precisa ser tratada como sujeito de direitos, não como exceção administrativa.

Um marco simbólico — e a cobrança que permanece

Historicamente, pessoas transexuais e travestis foram empurradas para a marginalidade, privadas de acesso à saúde, educação e trabalho formal. Reuniões como esta representam um marco simbólico de reconhecimento institucional, mas também ampliam a cobrança da sociedade civil por ações concretas, orçamento definido e continuidade das políticas.

A reunião do dia 19/12/2025 não encerra o debate — ela o escancara. Em tempos de avanço do conservadorismo e de ataques aos direitos LGBTQIA+, manter e fortalecer núcleos como o NUCPTT é uma decisão política que define de que lado da história o poder público escolhe estar.

Redação Geral Gazzeta Paulista
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