O ministro Ricardo Lewandowski deixa oficialmente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (09/01/2026), marcando o fim de uma passagem curta, porém simbólica, pelo terceiro mandato do petista. A saída reacende debates políticos, institucionais e jurídicos sobre o papel de ex-ministros do Supremo Tribunal Federal na estrutura do Executivo.
Uma trajetória que atravessa a história recente do Brasil
Ex-presidente do STF e uma das figuras mais influentes do Judiciário nas últimas décadas, Lewandowski construiu sua carreira no centro das grandes decisões nacionais. No Supremo, foi protagonista em julgamentos históricos, atuou em momentos de forte tensão entre os Poderes e presidiu a Corte durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016 — episódio que marcou profundamente a democracia brasileira.
Ao aceitar integrar o governo Lula , Lewandowski rompeu uma tradição informal de distanciamento entre o topo do Judiciário e cargos políticos imediatos no Executivo, o que desde o início gerou controvérsia.
Saída cercada de simbolismo e críticas
A despedida do ministro ocorre em meio a avaliações divergentes. Aliados do Planalto destacam sua contribuição técnica, institucional e o peso político de seu nome para o diálogo entre os Poderes. Já críticos apontam que sua presença no governo alimentou discursos sobre politização do Judiciário e levantou questionamentos éticos sobre a chamada “porta giratória” entre STF e Executivo.
Nos bastidores, a avaliação é de que a permanência de Lewandowski tornou-se politicamente sensível em um ano pré-eleitoral, no qual o governo busca reduzir tensões e evitar novos flancos de desgaste.
Impacto político e institucional
A saída de Ricardo Lewandowski não representa apenas uma mudança administrativa. Ela simboliza o encerramento de um experimento político-institucional raro no Brasil contemporâneo: a incorporação direta de um ex-presidente do STF ao núcleo do Executivo federal em pleno mandato.
Especialistas avaliam que o episódio deverá influenciar debates futuros sobre quarentena institucional, limites éticos e a relação entre os Poderes da República.
O que fica para a história
Com a saída nesta sexta-feira, Lewandowski retorna à condição de uma das maiores referências do Direito Constitucional brasileiro, agora com mais um capítulo controverso em sua trajetória. Para apoiadores, deixa um legado de estabilidade e diálogo. Para críticos, um alerta sobre os riscos da sobreposição entre Justiça e política.
O fato é que sua passagem pelo governo Lula já está registrada como um dos episódios mais discutidos e emblemáticos da atual fase da democracia brasileira.

































