domingo, 11 de janeiro de 2026

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Ser católico é ser romano? Catolicidade além da autoridade do Papa

​Vamos direto ao ponto — sem rodeios, sem fumaça teológica. A pergunta é legítima, antiga e incômoda para alguns: ser católico é, obrigatoriamente, estar submetido à autoridade do Papa de Roma?

​A resposta curta é: Não necessariamente. A resposta honesta, histórica e teológica exige mais fôlego. Vamos a ela.

O que significa, afinal, “católico”?

​A palavra católico vem do grego katholikós, que significa universal, pleno, integral. Ela aparece já nos primeiros séculos do cristianismo, muito antes de existir um Papa com poder jurídico universal como conhecemos hoje.

​Ser católico, em sua essência, é professar a fé una, santa, católica e apostólica, conforme o Credo Niceno-Constantinopolitano (século IV). Não é um selo administrativo. É identidade espiritual e doutrinal.

​A Igreja Católica Romana e o Papa: quando isso virou regra?

​A Igreja Católica Romana consolidou a jurisdição universal do Papa principalmente a partir da Idade Média, e de forma dogmática no Concílio Vaticano I (1870). Antes disso, o Bispo de Roma era visto como “Primus inter pares” — o primeiro entre iguais, não um monarca absoluto da cristandade.

​O papado como autoridade universal é um desenvolvimento histórico, não um dado explícito e inequívoco do cristianismo primitivo.

E as Igrejas Católicas que não reconhecem o Papa?

​Aqui entra o ponto que muitos preferem ignorar. Existem — e sempre existiram — Igrejas que se reconhecem plenamente católicas, mantendo:

Sucessão apostólica válida; Sacramentos válidos; Fé cristológica ortodoxa; Liturgia histórica.

​Exemplos clássicos são as Igrejas Ortodoxas, as Igrejas Velho-Católicas e a nossa Diocese Anglicana Católica do Brasil (DACB). Essas Igrejas não negam a catolicidade; elas negam o modelo romano de centralização do poder. A catolicidade não é um monopólio romano.

Conclusão — Sem medo de desagradar

​Ser católico não é uma “carteira assinada” por Roma. É pertencer à Igreja una fundada por Cristo, edificada sobre os Apóstolos e vivificada pelo Espírito Santo. O Papa pode ser um sinal de unidade, mas não é o dono da catolicidade.

​A Igreja é maior que Roma. A fé é mais antiga que o Vaticano. E a catolicidade não cabe em um único trono. Como diria a tradição: “Ubi Christus, ibi Ecclesia” (Onde está Cristo, ali está a Igreja).

​Matéria  de + Dom Frei Lucas Macieira da Silva

Arcebispo Primaz – Diocese Anglicana Católica do Brasil

Redação Geral Gazzeta Paulista
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