Na Manha da Ultima de terça-feira (17/02/2026) entrou para a agenda histórica de Taboão da Serra. A Prefeitura Municipal recebeu a comitiva Sankofa 2026, composta pelo rei de Gana, Nene Tetteh Aiyku, pela rainha do Zimbábue, Mambokadzi Aluko, e por Kwabo Mabula, membro da família real africana.
O ato contou com a presença Douglas Alves presidente do PT de Juquitiba, chefe de gabinete do prefeito, engenheiro Eduardo Rijo, e representante da Secretaria de Direitos Humanos, Fernanda Bottaro ampliando o peso político do encontro em um momento de reorganização partidária e fortalecimento das pautas identitárias na região.

Sankofa: memória que constrói futuro
O termo “Sankofa”, oriundo da tradição Akan, significa retornar ao passado para resgatar o que foi perdido e avançar com sabedoria. No Brasil, onde mais de metade da população se autodeclara negra ou parda, a presença de lideranças tradicionais africanas carrega densidade histórica.
A visita transcende protocolo. Ela dialoga com políticas de igualdade racial, combate à intolerância religiosa e enfrentamento da violência que atinge, majoritariamente, a juventude negra.
Diplomacia cultural ou estratégia política?
A participação do presidente do PT de Juquitiba adiciona um componente político ao encontro. Embora a agenda tenha caráter institucional e cultural, o cenário levanta questionamentos legítimos:
- O evento integra uma estratégia regional de fortalecimento partidário nas pautas raciais?
- Haverá formalização de cooperação internacional ou intercâmbio educacional e cultural?
- Ou a solenidade permanecerá no campo simbólico?

Em tempos de polarização, agendas de identidade e direitos humanos ocupam posição central no debate público.
Um marco regional
Não é comum municípios da Grande São Paulo receberem representantes de casas reais africanas em ato oficial. O gesto projeta Taboão da Serra para além dos limites metropolitanos, inserindo o município em uma rota de diplomacia cultural e diálogo internacional.
Ao mesmo tempo, a visita reacende a discussão sobre como transformar simbolismo em política pública concreta: formação antirracista nas escolas, fortalecimento de conselhos de igualdade racial, intercâmbios culturais e investimentos sociais.
O desafio pós-evento
A solenidade marca um momento histórico. Contudo, a sociedade civil e lideranças locais agora aguardam os desdobramentos práticos.
Se a proposta da Sankofa 2026 é resgatar a ancestralidade para transformar o presente, a pergunta que permanece é direta: Taboão da Serra dará sequência institucional a essa ponte com a África ou o encontro ficará restrito ao registro fotográfico?
O gesto foi forte. A história cobrará os resultados.

































