Compromisso com o multilateralismo frente aos desafios geopolíticos e cooperação para acelerar a ação climática. Este é o balanço do Diálogo para o Clima de Petersberg, realizado na última semana em Berlim, na Alemanha. A reunião organizada pelo governo alemão faz parte do calendário de debates preparatórios para as COPs (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) e, neste ano, foi co-presidida pelo Brasil, que realizará a COP30 em novembro, na cidade de Belém.
Em Berlim, cerca de 40 países reforçaram o comprometimento com o combate à mudança do clima e abordaram temas centrais da COP30. Entre eles, adaptação, mitigação, transição justa e o Roadmap Baku-Belém para US$1,3 trilhão em financiamento climático, documento que Azerbaijão e Brasil, como presidentes das COPs 29 e 30, devem apresentar neste ano.
O encontro, que ocorre desde 2010, é o primeiro de nível ministerial do calendário pré-COP. O chanceler alemão, Olaf Scholz, e a ministra de Relações Exteriores do país, Annalena Baerbock, participaram das atividades, assim como o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, e a diretora-executiva da conferência, Ana Toni.
De acordo com Corrêa do Lago, a avaliação dos países foi positiva, reforçando o compromisso com a cooperação climática multilateral apesar do cenário geopolítico. O diplomata destaca que os debates reforçaram o espírito de “mutirão” (palavra de origem tupi), com a noção de a ação climática deve ser coletiva, abrangente e contínua.
“Ficamos impressionados com a quantidade de países que apreciaram essa expressão e passaram a usar o conceito de mutirão, que é o espírito que nós queremos trazer para Belém”, afirmou Corrêa do Lago.
O embaixador referia-se ao chamado lançado pelo Brasil na primeira carta da presidência da COP30, divulgada em março para acelerar a ação coletiva no combate à mudança do clima. Além de governos nacionais e subnacionais, sociedade civil, empresas, setor financeiro, entre outros, também são partes-chave da solução.
“O Diálogo nos deu a perspectiva de como vamos trabalhar com os outros países para ter entregas concretas na COP30”, afirmou Ana Toni, diretora-executiva da conferência deste ano.
A presidência brasileira ressaltou ainda o objetivo de iniciar em Belém uma nova década de implementação, após a conclusão do livro de regras do Acordo de Paris no ano passado. Os representantes do Brasil também cobraram ambição nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que os países deveriam apresentar até fevereiro.
Até o momento, apenas 19 países entregaram suas metas, entre eles o Brasil. A NDC brasileira, enviada à UNFCCC em novembro, determina a redução das emissões líquidas de gases-estufa entre 59% e 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005.
Maior ambição é não apenas possível, mas traz oportunidades econômicas, segundo analise apresentada em Petersberg pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Entre outros pontos, o estudo indica que políticas climáticas bem elaboradas e alinhadas ao Acordo de Paris podem resultar em maior crescimento econômico, além de reduzir a emissão de gases-estufa e aumentar a produtividade e inovação.
Segundo o estudo, o PIB mundial em 2040 seria 0,2% maior com políticas climáticas mais robustas e alinhadas ao Acordo de Paris do que com as atuais. A longo prazo, com os desastres climáticos evitados, metas climáticas mais robustas podem ajudar a prevenir perdas econômicas significativas e aumentar o PIB global em até 3% até 2050. Até 2100, o aumento do PIB pode chegar a 13%, de acordo com o estudo.
Além disso, se os investimentos em transição energética forem complementados por medidas para reforçar a segurança alimentar, reformas governamentais e acesso a serviços básicos, nove em cada dez países com baixos índices de desenvolvimento humano poderiam melhorar suas perspectivas de desenvolvimento até 2050. Segundo a análise, cerca de 175 milhões de pessoas a mais poderiam deixar de viver em situações de extrema pobreza com tais medidas.

Abertura dos diálogos sobre a COP30
Realizado anualmente, o Diálogo de Petersberg sobre Clima (Petersberg Climate Dialogue) é uma reunião ministerial organizada pelo governo alemão em parceria com o país que presidirá a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Neste ano, o espaço foi fundamental para a agenda brasileira para a COP30, e para os alemães reforçarem a continuidade da agenda climática no governo de Friedrich Merz, que deve ser formado nos próximos dias.
As discussões reuniram ministros e altos oficiais da agenda para o clima e sustentabilidade, entre as principais economias do mundo, estados insulares e, nações em desenvolvimento, além de observadores. Os países reafirmaram o apoio em torno de soluções para que a COP30, a ser realizada em Belém do Pará, em novembro, dê o impulso necessário para avançar da fase do estabelecimento de acordos climáticos para a prática.
Até novembro, outros momentos devem dar bases às negociações para o evento no Brasil. O próximo será a Conferência Ministerial do Clima de Copenhague, que acontece nos dias 7 e 8 de maio na capital dinamarquesa.