São Paulo – Em um gesto simbólico, político e profundamente pedagógico, o vice-presidente da OAB Taboão da Serra, Dr. Walter dos Santos, participou nesta sexta-feira de um almoço solene realizado na Mesquita Brasil, em homenagem ao Dia Nacional de Luta pela Liberdade Religiosa, celebrado oficialmente no último 21 de janeiro.
O encontro ocorreu logo após a tradicional oração do meio-dia, um dos rituais centrais da fé islâmica, e reuniu cerca de 200 pessoas, entre lideranças religiosas, representantes da sociedade civil, juristas, educadores e convidados de diferentes crenças.
Um gesto que vai além da diplomacia
A presença de um dirigente da advocacia regional em um espaço religioso islâmico não é apenas protocolar. Trata-se de um posicionamento público em defesa do Estado laico, da pluralidade religiosa e do direito constitucional à liberdade de crença, princípios que, embora garantidos pela Constituição Federal, seguem sendo alvo de disputas políticas, preconceitos culturais e desinformação.

Ao participar do almoço, Dr. Walter dos Santos reforçou o papel da advocacia como guardiã das liberdades fundamentais, especialmente em tempos de radicalização ideológica e instrumentalização da fé no debate público. O gesto ganha ainda mais peso quando inserido no contexto atual, em que religiões de matriz africana e comunidades islâmicas figuram entre as mais atingidas por atos de intolerância no Brasil.
A Mesquita Brasil como espaço político-pedagógico
Fundada como a primeira mesquita do país, a Mesquita Brasil tem se consolidado não apenas como templo religioso, mas como espaço de diálogo inter-religioso e educação cidadã. O almoço alusivo ao Dia Nacional de Luta pela Liberdade Religiosa reafirma essa vocação, transformando um rito cotidiano em um ato público de resistência simbólica contra o preconceito.
A imagem do encontro — com líderes religiosos lado a lado, trajes tradicionais distintos e expressões serenas — é, por si só, um documento histórico. Ela confronta narrativas de medo e estigmatização e propõe uma pedagogia silenciosa: a convivência é possível, necessária e urgente.
Entre o Direito e a Fé
O evento também escancara uma tensão permanente no Brasil contemporâneo: a distância entre o que está escrito na lei e o que se pratica no cotidiano. Ao cruzar os limites do foro e adentrar um espaço sagrado de outra tradição religiosa, a OAB — representada por seu vice-presidente local — sinaliza que a defesa dos direitos humanos não pode se limitar aos tribunais.
Mais do que um almoço, o encontro foi um ato político no sentido mais nobre do termo: aquele que promove o bem comum, educa pelo exemplo e reafirma valores democráticos.

































