Manifestação da APESOSP reúne cerca de mil professores na Praça da República e reacende debate histórico sobre a educação pública em São Paulo

São Paulo – A Praça da República, no coração da capital paulista, voltou a ser palco de mobilização popular na tarde da última sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, quando cerca de mil professores participaram de uma manifestação organizada pela APESOSP. O ato teve caráter histórico, político e pedagógico, reunindo educadores, lideranças sindicais e representantes do campo progressista em defesa da valorização do magistério e da escola pública.

A manifestação contou com a presença do Dr. Walter do Santos, vice-presidente da OAB Taboão da Serra, da ex-vice-prefeita de Taboão da Serra Prof.ª Márcia Regina, do deputado estadual Carlos Giannazi, da deputada federal Luciana Cavalcante e do vereador de São Paulo Celso Giannazi. As falas foram marcadas por críticas contundentes às políticas educacionais vigentes e pela defesa de um projeto de educação pública democrática e inclusiva.

Praça da República: símbolo de lutas e resistência

Historicamente associada a manifestações políticas, culturais e sindicais, a Praça da República mais uma vez serviu como espaço de expressão coletiva. O local, que já recebeu atos emblemáticos em defesa da democracia e dos direitos sociais, foi escolhido de forma simbólica pela APESOSP para reafirmar que a luta dos professores ultrapassa pautas salariais e toca diretamente o futuro do país.

Educação em disputa: o tom político do ato

Durante o evento, lideranças destacaram o processo de precarização do trabalho docente, denunciando baixos salários, sobrecarga de trabalho, falta de investimentos estruturais e tentativas de esvaziamento do papel crítico da educação. O deputado Carlos Giannazi classificou o momento como “um ataque sistemático à escola pública”, enquanto a deputada federal Luciana Genro ressaltou que “sem professor valorizado não há democracia sólida”.

O Dr. Walter do Santos, representando a OAB de Taboão da Serra, enfatizou o viés jurídico da mobilização, lembrando que a educação é um direito constitucional e que sua fragilização representa violação direta aos princípios do Estado Democrático de Direito.

Didática da resistência

Além do caráter político, o ato teve um viés didático: faixas, cartazes e discursos explicaram à população os impactos concretos das políticas educacionais sobre alunos, famílias e comunidades. A APESOSP buscou dialogar com a sociedade, deixando claro que a luta dos professores é também a luta por serviços públicos de qualidade.

Um recado ao poder público

Ao final da manifestação, os organizadores reforçaram que o ato não foi um ponto isolado, mas parte de um calendário permanente de mobilizações. A mensagem foi direta: os professores seguem organizados, atentos e dispostos a ocupar os espaços públicos sempre que seus direitos e a educação pública forem ameaçados.

A manifestação da APESOSP na Praça da República entra para o registro histórico como mais um capítulo da longa e polêmica luta dos educadores paulistas — uma luta que insiste em ensinar, mesmo fora da sala de aula, que educação é direito, não privilégio.

Redação Geral Gazzeta Paulista
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