Não é discurso vazio. e projeto, quando não é dito às claras, precisa ser desvendado. A extrema-direita brasileira atua com método, repetição e estratégia. Enquanto vende slogans patrióticos, trabalha — nos bastidores e na vitrine — para desmontar o Estado, enfraquecer o povo e concentrar poder.
A partir da escuta das bases, das pastorais sociais, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da convivência direta com comunidades vulneráveis, apresento as dez pautas reais que hoje estruturam o pensamento e a prática desse movimento no Brasil.
O que está em jogo não é ideologia abstrata: é vida concreta.
As 10 Pautas da Agenda Oculta
1. Boicote ao Bem Comum
Há um ataque sistemático a qualquer política pública que beneficie a maioria. Educação, saúde, moradia e assistência social são tratadas como “gastos” ou “ameaças” ao equilíbrio fiscal de poucos.
2. Ataque ao Trabalhador
Direitos trabalhistas, previdenciários e sindicais viram alvos permanentes. O trabalhador é reduzido à condição de custo operacional, desprovido de sua dignidade como sujeito de direitos.
3. Dinastia dos Ricos
Um projeto de manutenção de castas. O poder deve continuar nas mesmas mãos, onde herdeiros governam para herdeiros, transformando a meritocracia em uma falácia de uso exclusivo das elites.
4. Elitismo Radical
A hegemonia do empresariado sobre o social. O povo é condicionado à obediência, o trabalho perde seu valor humano e a desigualdade é elevada ao status de regra econômica.
5. A Indústria da Mentira
As fake news não são acidentais; são método de governança. A desinformação deliberada mantém o corpo social confuso, dividido e facilmente manipulável.
6. Fábrica de Caos
A utilização do ódio e do medo como ferramentas de controle. O pânico moral e social é disseminado em grupos fechados para desestabilizar as relações institucionais.
7. Elogio à Ignorância
O desmonte do pensamento crítico através do ataque à ciência, às universidades e à cultura. Sob esta ótica, o questionamento é tratado como crime e a inteligência como ameaça.
8. Abandono dos Vulneráveis
O enfraquecimento das redes de proteção a crianças, órfãos e idosos. O Estado retira sua mão exatamente onde a dor social é mais latente.
9. Naturalização da Miséria
A invisibilização da fome e a criminalização da população de rua. A miséria deixa de ser um problema público para ser rotulada como uma “escolha individual” ou fatalidade.
10. Exclusão das Minorias
O apagamento de mulheres, negros, indígenas e pobres do projeto de nação. A retirada de terras e o silenciamento de vozes são as ferramentas para a homogeneização autoritária.
O Bônus Ideológico: A Perda da Soberania
É contraditório observar o ufanismo que troca a bandeira brasileira por interesses estrangeiros. Para essa mentalidade, a pátria não é um território de pertença, mas um balcão de negócios; o país deixa de ser nação para tornar-se colônia.
Reflexão Ética e Pastoral
Esta não é uma denúncia partidária, mas uma interpelação ética e cristã. Como bispo e jornalista social, falo a partir da realidade das periferias e das pequenas missões da Diocese Anglicana Católica do Brasil.
Defender o povo não é crime. Denunciar injustiças não é extremismo. O verdadeiro extremismo reside em negar a dignidade humana, silenciar o grito dos famintos e instrumentalizar a fé como ferramenta de opressão. O Brasil pertence ao seu povo, e é este povo que não aceitará o retrocesso histórico.
Dom Lucas Macieira da Silva é Arcebispo Primaz da Diocese Anglicana Católica do Brasil (DACB), autor de obras teológicas e militante das causas sociais.

































