sexta-feira, 24 maio, 2024
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Pronunciamento do presidente Lula durante lançamento ao mar do submarino Tonelero

Íntegra do pronunciamento do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de lançamento ao mar do submarino Tonelero, com a participação do Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, em Itaguaí (RJ), em 27 de março de 2024

Primeiro, eu quero pedir desculpas aos nossos convidados, porque não vou ler toda a nominata, porque todos já falaram em nome de todos que estão aqui. Seria repetitivo e, como nós vamos ter eleição, este ano, no Brasil, é perigoso, a partir daqui, alguém ganhar voto se eu citar o nome – ou perder voto.

Então eu queria, primeiro, cumprimentar a minha querida companheira Janja, que deveria ter trazido um pouquinho de champagne para a gente beber, mas o Olsen [Marcos Sampaio Olsen, comandante da Marinha] obrigou a jogar fora a garrafa com vidro e tudo.

Quero cumprimentar o companheiro Emmanuel Macron, presidente da República Francesa. Quero cumprimentar o governador do Rio de Janeiro e quero cumprimentar o nosso querido Olsen, comandante da Marinha e, em nome dele, cumprimentar todas as pessoas da Marinha que estão aqui. E cumprimentar o ex-ministro Karam, porque não é só que ele foi ex-ministro, é que amanhã ele estará completando 100 anos de idade. Eu disse para ele que ele está com cara de quem vai viver até 120, que é a idade que eu pedi para Deus permitir que eu viva – só mais 40 anos é o que eu peço para ficar aqui no planeta Terra, depois eu vou para outro lugar.

Eu queria começar dizendo que esse dia é um pouco histórico para o Brasil, para a França, porque a verdade que dizem os poetas que uma caminhada, por mais longa que seja, ela começa sempre com o primeiro passo. O muro da China, alguém teve que ter a coragem de construir, colocar o primeiro tijolo. E o que está acontecendo hoje é o resultado de uma caminhada que completa, no próximo ano, 200 anos de relação diplomática entre Brasil e França. Não é pouca coisa. Além do que, é que a Revolução Francesa inspirou muitos brasileiros e brasileiras ao longo da história do Brasil e da França.

E hoje é um dia memorável, porque eu tinha insistido para o presidente Macron vir ao Brasil. Eu tinha insistido para o presidente Macron vir conhecer esse estaleiro aqui, porque ele disse que é um dos mais modernos do mundo, mas eu disse para ele: se ele viesse aqui, ele não iria ver o estaleiro mais moderno, um dos mais modernos, ele iria ver o estaleiro mais sofisticado desse século, construído aqui no Brasil, para, junto com a França, construir o nosso primeiro submarino de propulsão nuclear.

Eu espero que o presidente Macron leve do Brasil não apenas a imagem do nosso estaleiro, a imagem do nosso navio, que daqui a pouco está entrando na água, mas a imagem do carinho do povo brasileiro, que ele viu ontem, na Amazônia, e que está vendo hoje no Rio de Janeiro.

Saímos ontem do coração da Amazônia Verde, em Belém, para tratar de outra Amazônia, a Amazônia Azul.
Deste Estaleiro de Itaguaí vislumbramos a vastidão dos 5,7 milhões de quilômetros quadrados do espaço marítimo brasileiro.

95% do comércio exterior brasileiro transita pelo Atlântico Sul, onde existem recursos naturais e rica biodiversidade ainda inexplorados.

Da Amazônia Azul retiramos 85% do petróleo, 75% do gás natural e 45% do pescado produzido no país.

A proteção desse patrimônio natural e a manutenção do Atlântico Sul como Zona de Paz e Cooperação são vertentes centrais da política externa brasileira. Ao longo dos últimos 150 anos, esses objetivos nacionais se tornaram realidade com o apoio francês.

Vários dos navios da Marinha do Brasil foram construídos na França, como nosso primeiro navio encouraçado, o Brasil, recebido em 1865, ou o porta-aviões São Paulo, que esteve em serviço entre 2000 e 2014.

Hoje, com o complexo instalado aqui, na Baía de Sepetiba, o Brasil se posiciona dentre um pequeno grupo de países que domina a construção de submarinos.

O ProSub é o maior e mais importante projeto de cooperação internacional em assuntos de defesa do Brasil. Ele garante a soberania brasileira no nosso litoral, fortalece a indústria naval, com geração de emprego e renda, e promove o desenvolvimento do setor com muita inovação.

Nesta oportunidade, lançamos ao mar, através da nossa querida madrinha Janja, o Tonelero, o terceiro da série de submarinos convencionais desenvolvidos com a França a partir de 2008.

O Brasil já conta com dois submarinos da classe Scorpène, o Riachuelo e o Humaitá. Em 2025, ano do bicentenário das relações com a França, lançaremos ao mar um quarto, o Angostura.

A nossa cooperação em defesa não se limita à dimensão naval. Os helicópteros que o presidente Macron e eu usamos há pouco para chegar a Itaguaí são produzidos em Itajubá, Minas Gerais, única fábrica de helicópteros da América Latina e resultado do consórcio Helibrás/AIRBUS.

A continuidade de suas operações e possível expansão para aeronaves de uso civil estão em linha com a política brasileira de neoindustrialização.

O presidente Macron e eu concordamos em ampliar esse esforço com a criação do Comitê Bilateral de Armamentos, com foco no desenvolvimento de sinergias e promover maior equilíbrio em nosso comércio de produtos de defesa. No campo espacial, o satélite geoestacionário construído em Nice, em 2017, tem assegurado a independência e soberania nas comunicações de defesa e envolveu amplo processo de absorção e de transferência de tecnologia.

Adquirimos da França o Super Computador Santos Dumont, que está hospedado aqui perto, em Petrópolis. Agora vamos atualizá-lo e quintuplicar sua capacidade de processamento.

Essa será uma poderosa ferramenta de pesquisa e também de suporte aos setores de defesa, energia, clima e saúde. Ele será fundamental para o desenvolvimento da Inteligência Artificial no país.

Meu caro amigo presidente Macron,

Nossa parceria, com seu elevado componente de cooperação em tecnologias de ponta, reforça a determinação do Brasil em conquistar maior autonomia estratégica, essencial diante das múltiplas crises e desafios com os quais a humanidade se depara neste século XXI.

Meus amigos e meus amigos,

Antes de terminar, eu queria, sobretudo, para a imprensa francesa, um pouco da compreensão porquê que é importante essa ideia do Brasil cuidar de uma estratégia de defesa que permita ao Brasil, um país que tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca. Um país que tem uma fronteira marítima de 8,5 mil quilômetros quadrados.

Um Brasil que faz fronteira com todo o continente africano, porque, aqui, nós tratamos o Oceano Atlântico como se fosse um rio atlântico, porque nós fazemos fronteira com todo o continente africano. E nós temos que nos preocupar com a nossa defesa. Não porque nós queremos guerra. A defesa é para quem quer paz. A defesa para quem mora em um continente que já definiu, em todas as reuniões da Celac, de que nós vamos continuar, na América Latina e América do Sul, sendo uma Zona de Paz.

Um país que quer se proteger e construir a soberania do seu povo tem que se preocupar com seu espaço aéreo, tem que se preocupar com a riqueza mineral, tem que se preocupar com a riqueza do solo e do subsolo, tem que se preocupar com a riqueza do mar. Mas, sobretudo, nós temos que nos preocupar com a tranquilidade de 203 milhões de brasileiros que moram nesse país e nos preocupar com a tranquilidade que nós precisamos garantir ao planeta Terra. Porque, hoje, nós sabemos que existe um problema muito sério de animosidade contra o processo democrático desse país, contra o processo democrático do planeta Terra. E nós sabemos que a parceria que a França está construindo conosco é uma parceria que vai permitir que dois países importantes, cada um em um continente, se prepare para que a gente possa conviver com essa adversidade, sem nos preocupar com qualquer tipo de guerra, porque nós somos defensores da paz em todo e qualquer momento da nossa história.

Eu quero, presidente Macron, dizer para você que saia do Brasil sabendo que o povo brasileiro gosta do povo francês. E eu tenho certeza que o povo francês gosta do povo brasileiro. Nós temos que aproveitar essa amizade, esse entendimento, para que a gente possa fortalecer os dois países, para que a gente possa trocar os nossos conhecimentos científicos e tecnológicos, para que a gente possa produzir uma Inteligência Artificial do bem, e não uma Inteligência Artificial do mal. Uma Inteligência Artificial para ajudar a cuidar da saúde, para ajudar a cuidar do povo pobre, para melhorar a descarbonização do planeta Terra, e não uma Inteligência Artificial para contar fake news todo santo dia aos ouvidos e olhos de bilhões e bilhões de seres humanos.

Quando nos encontrarmos amanhã, em Brasília, nós vamos firmar, possivelmente, a maior quantidade de acordos que Brasil e França já firmaram. Eu queria, querido amigo, presidente Macron, que quando terminar nossa conversa amanhã, volte para a França e diga aos franceses que o Brasil está querendo os conhecimentos da tecnologia nuclear – não para fazer guerra, nós queremos ter o conhecimento para garantir a todos os países que querem paz, que saibam que o Brasil estará ao lado de todos, porque a guerra não constrói, a guerra destrói. O que constrói é desenvolvimento, é conhecimento científico, é conhecimento tecnológico e é nessa área que nós queremos fortalecer a nossa parceria com o povo francês.

Muito obrigado pela sua presença aqui e parabéns à Marinha Brasileira. Parabéns Olsen pelo trabalho, parabéns aos ex-comandantes. E tenho certeza que esse carinho que esse carinho que nós temos com a Marinha, nós temos com a Força Aérea Brasileira, com a Aeronáutica e nós temos com o Exército Brasileiro, porque um país do tamanho do Brasil precisa ter Forças Armadas altamente qualificadas, altamente preparadas, a ponto de dar resposta de garantir a paz quando nosso país precisar.

Parabéns a todos nós por esse dia memorável. E eu espero que, agora, a gente tenha chance de ver o submarino entrar na água, porque até agora nós não vimos.

Um abraço e boa sorte ao povo francês e ao povo brasileiro.

Materia envida pela assessoria de Comunicação da Presidencia da Republica

Isaias Dutra
Jornalista Isaias Dutra e editor Chefe do Gazzeta Paulista
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