A maior central de abastecimento da América Latina foi palco de um encontro carregado de simbolismo político, histórico e econômico. Na quarta-feira (11/02/2026), a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) recebeu, no Entreposto da Vila Leopoldina, representantes da realeza africana em uma visita que ultrapassa o protocolo e reacende debates sobre diplomacia econômica e identidade afro-brasileira.
Estiveram presentes o rei do Reino de Kabiawetsu, de Gana, Nene Tetteh Ayiku Abordonu IV; a rainha Mambokadzi Aluko, do Zimbábue; e o príncipe Kwabo Mabula, representante do povo Ngola do Reino de Ndongo Matamba, de Angola.
A CEAGESP como ponte estratégica
A escolha do entreposto paulistano não foi aleatória. A CEAGESP é responsável por abastecer milhões de pessoas diariamente, articulando produtores rurais, comerciantes e redes varejistas. O espaço simboliza produção, logística e soberania alimentar — temas centrais para países africanos que buscam fortalecer cadeias produtivas e ampliar mercados internacionais.
Nos bastidores, a visita reforça um eixo cada vez mais discutido no cenário internacional: a reaproximação do Brasil com o continente africano por meio da diplomacia econômica, cultural e agrícola.
História que atravessa o Atlântico

A presença de representantes do Reino de Ndongo Matamba carrega forte peso histórico. Foi desse território, na atual Angola, que partiram milhares de africanos escravizados para o Brasil colonial. A visita, portanto, também evoca memória, resistência e reconexão histórica.
Gana e Zimbábue, por sua vez, representam nações que consolidaram processos de independência e afirmação identitária no século XX. O diálogo com o Brasil, país com a maior população negra fora da África, adquire dimensão simbólica e política.
Diplomacia simbólica ou estratégia comercial?
A agenda pública destacou intercâmbio institucional e cooperação comercial. Mas a visita também levanta questionamentos:
Haverá acordos concretos na área de exportação e tecnologia agrícola?
O encontro será convertido em protocolos de cooperação bilateral?
Como o Brasil pode aproveitar esse momento para fortalecer a presença no mercado africano?
Especialistas em comércio exterior apontam que o continente africano é uma das fronteiras econômicas mais promissoras do século XXI, especialmente no setor agroalimentar.
Política externa em movimento
A movimentação reforça uma tendência de fortalecimento das relações Sul-Sul, ampliando o diálogo entre países em desenvolvimento. Em um cenário global marcado por disputas comerciais e rearranjos geopolíticos, iniciativas como essa sinalizam reposicionamento estratégico.
A visita à CEAGESP pode parecer apenas institucional. Mas carrega três camadas profundas:
Histórica – reconexão entre Brasil e África.
Econômica – potencial abertura de mercados e cooperação agrícola.
Política – fortalecimento da diplomacia cultural e comercial.

































