São Paulo – A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre ficará marcada como um ponto de inflexão na história da prova feminina. Na manhã desta terça-feira (31), a tanzaniana Sisilia Ginoka Panga protagonizou um feito simbólico e esportivo: interrompeu o domínio das atletas quenianas, venceu com autoridade e entrou para o seleto grupo de campeãs que redefiniram o rumo da mais tradicional corrida de rua do Brasil.
Com o tempo de 51min08s, Panga impôs ritmo forte desde os quilômetros iniciais e confirmou a vitória ao abrir vantagem decisiva na reta final, superando a queniana Cynthia Chemweno, segunda colocada com 52min31s. O pódio foi completado pela brasileira Núbia de Oliveira, que repetiu o desempenho de 2024 e garantiu a terceira posição, com 52min42s, consolidando-se como principal nome nacional da prova.
Classificação oficial – Prova Feminina (Top 5)
🥇 Sisilia Ginoka Panga (Tanzânia) – 51min08s
🥈 Cynthia Chemweno (Quênia) – 52min31s
🥉 Núbia de Oliveira (Brasil) – 52min42s
4️⃣ Gladys Pucuhuaranga (Peru) – 53min50s
5️⃣ Vivian Kiplagati (Quênia) – 54min12s
Um resultado que vai além da medalha
A vitória de Sisilia Panga tem peso histórico e político dentro do atletismo mundial. A São Silvestre, especialmente nas últimas décadas, tornou-se território quase exclusivo das corredoras do Quênia. Ao romper esse ciclo, a tanzaniana não apenas venceu uma prova, mas quebrou uma narrativa de supremacia, recolocando a Tanzânia no centro do atletismo feminino de elite.
O resultado reforça a diversidade do atletismo africano e evidencia que o domínio queniano, embora sólido, não é absoluto — sobretudo quando outras nações investem em preparação técnica, estratégia de prova e gestão esportiva de longo prazo.
Brasil no pódio: constância em meio às adversidades
O terceiro lugar de Núbia de Oliveira merece destaque especial. Em um cenário de extrema competitividade internacional, a brasileira repetiu a colocação do ano anterior, demonstrando regularidade, maturidade e alto nível técnico. O feito, porém, também expõe um contraste: enquanto rivais estrangeiras contam com sistemas consolidados de formação e apoio, atletas brasileiras frequentemente dependem de esforços individuais para se manterem na elite.
A São Silvestre como espelho do esporte
Na edição do centenário, a prova feminina mostrou que tradição não significa imobilidade. A quebra da hegemonia queniana, o protagonismo tanzaniano e a presença brasileira no pódio transformam a São Silvestre 2025 em um retrato claro das disputas globais no esporte: talento existe em muitos lugares, mas resultados refletem escolhas, políticas e investimentos.

































