Na última terça-feira 28/04/2026, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo foi palco de uma cerimônia que mesclou reconhecimento, denúncia e mobilização política. Em sua segunda edição, a solenidade “Mulheres que Movem a História”, coordenada pela deputada estadual Beth Sahão (PT), homenageou 18 mulheres que se destacam na promoção da igualdade de gênero e no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.
O evento, organizado pela Frente Parlamentar pela Defesa da Vida e Proteção de Mulheres e Meninas, reuniu lideranças de diferentes setores — da ciência ao ativismo social — em um momento que vai além da celebração: expõe uma realidade alarmante e cobra respostas concretas do poder público.
Reconhecimento em meio a números alarmantes
Durante a cerimônia, Beth Sahão ressaltou que o reconhecimento das homenageadas ocorre em um contexto crítico. Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo apontam que 266 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025 — o maior número desde o início da série histórica, em 2018.
A fala da parlamentar reforça o caráter político do evento: não se trata apenas de homenagens simbólicas, mas de um alerta institucional diante do crescimento da violência de gênero no estado.
Ciência, política e resistência feminina

Entre as homenageadas, nomes de peso reforçam o impacto do protagonismo feminino em diversas áreas. A geneticista Mayana Zatz destacou o papel do reconhecimento como incentivo às novas gerações:
“Vale a pena ser cientista. É um jogo de quebra-cabeças constante, onde cada descoberta abre novas perguntas.”
Também foram reconhecidas figuras como Ana Estela Haddad (saúde digital), Liedi Bernucci (engenharia e vice-reitoria da Universidade de São Paulo), Amelinha Teles (direitos humanos) e Sheila de Carvalho (acesso à Justiça), evidenciando a pluralidade da atuação feminina no país.
Recorte racial expõe desigualdade estrutural
Um dos pontos mais contundentes do evento foi o debate sobre o impacto do racismo na violência de gênero. Representantes do movimento negro trouxeram dados que escancaram desigualdades: segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 62,6% dos feminicídios entre 2021 e 2024 envolveram mulheres negras.

Silvana Veríssimo, da Rede Nacional de Mulheres Negras, foi direta ao afirmar que não é possível discutir gênero sem abordar raça. Na mesma linha, a liderança cultural Nega Duda destacou o papel do bloco Ilú Obá De Min como um “quilombo urbano” de resistência, educação e proteção.
Entre o simbolismo e a urgência por políticas públicas
Apesar do caráter simbólico da homenagem, o discurso predominante foi de cobrança. Beth Sahão enfatizou que ações como essa precisam se traduzir em políticas públicas efetivas, especialmente na ampliação de espaços para mulheres negras e no combate estrutural ao machismo e ao racismo. veja aqui com foi o evento https://www.youtube.com/live/4RQTiVZ-LA8?si=64BVVtwu04PbeONy
































