Com o início oficial do período de propaganda e atos públicos de rua no último final de semana, o cenário político paulista deu a largada para a disputa do Palácio dos Bandeirantes nas Eleições de 2026. O maior colégio eleitoral do país se prepara para um pleito decisivo, no qual o eleitorado avaliará a continuidade do projeto do atual governo estaduais e os caminhos de oposição apresentados pelas diferentes correntes ideológicas.
De um lado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) busca a reeleição sustentado por uma ampla coligação partidária e pelos índices de aprovação de sua gestão. Do outro, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) volta às urnas como a principal força de oposição do campo progressista. A disputa conta ainda com candidaturas de legendas que buscam dar visibilidade a pautas anticapitalistas, de esquerda e de direitos sociais no estado.
Tarcísio de Freitas (Republicanos): Aposta na Reeleição e na Mega-Aliança

O atual governador Tarcísio de Freitas, de 51 anos, consolida sua candidatura à reeleição à frente de uma coligação que reúne dez legendas do centro e da direita partidária, incluindo o Republicanos, PL, MDB, PSD, União Brasil, PP, Podemos, Avante, Solidariedade/PRD e a federação PSDB-Cidadania.
Tarcísio deu o pontapé inicial em sua agenda oficial com atos públicos na Grande São Paulo, reforçando investimentos em infraestrutura, como as obras de expansão do Metrô e de mobilidade urbana na Região Metropolitana, além do fortalecimento da segurança pública e programas de atração de capital privado. Nas pesquisas de intenção de voto divulgadas em meados de agosto de 2026 — como as dos institutos Ideia/ACSP e Vox Brasil —, o governador lidera a corrida com percentuais que variam entre 50,6% e 53,7% das intenções de voto válidos, despontando como favorito nas simulações de primeiro turno.
A estratégia da campanha governista está focada na consolidação do apoio dos prefeitos do interior e da Região Metropolitana — onde reuniu dezenas de gestores municipais na abertura dos trabalhos —, além do diálogo direto com o eleitorado feminino e a preservação do legado de concessões e desestatizações implementadas em sua gestão.
Fernando Haddad (PT): A Força da Oposição e a Dobradinha com o Governo Federal

O professor, ex-prefeito da Capital e ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, de 63 anos, volta a disputar o comando do estado de São Paulo pela federação PT/PCdoB/PV, respaldado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Haddad é a principal aposta da esquerda para levar o Partido dos Trabalhadores ao comando do Palácio dos Bandeirantes pela primeira vez na história.
A campanha do petista pontua em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, registrando entre 33,6% e 34,0% das intenções de voto. Haddad iniciou suas agendas de rua participando do grande ato de lançamento de campanha ao lado de Lula no ABC Paulista, e tem focado seus discursos em bandeiras como o fortalecimento da rede pública de ensino técnico e superior, a ampliação de programas sociais e a crítica às privatizações operadas pela atual gestão estadual.
Buscando neutralizar a liderança do adversário, a candidatura de Haddad aposta na polarização nacionalizada, no apelo junto ao eleitorado da Região Metropolitana e da periferia, e na defesa dos indicadores econômicos nacionais, como o crescimento do emprego formal e a isenção do Imposto de Renda para a classe trabalhadora.
As Candidaturas da Esquerda e de Legendas Ideológicas
Além da disputa polarizada entre o Republicanos e o PT, a Justiça Eleitoral homologou o registro de candidaturas de partidos que utilizam o pleito para apresentar propostas alternativas e debater soluções estruturais sob a ótica dos trabalhadores e movimentos sociais.
- Vera Lúcia (PSTU): A cientista social e ativista política volta a disputar o Governo de SP pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado. Sua plataforma defende a estatização de serviços públicos essenciais, a revogação de concessões e a priorização do orçamento estadual para moradia popular e salários do funcionalismo.
- Carlos Machado (PCB): Candidato pelo Partido Comunista Brasileiro, Machado traz para o debate a defesa dos direitos da classe trabalhadora, a crítica ao modelo de agronegócio e a cobrança por investimentos maciços em transporte público gratuito e saúde estatal.
- Vivian Mendes (UP): A representante da Unidade Popular constrói sua campanha pautada nas lutas urbanas por moradia, combate à fome, igualdade de gênero e combate ao racismo estrutural no estado de São Paulo.
- Izadora Dias (PCO): A candidata do Partido da Causa Operária apresenta plataforma voltada às garantias dos direitos trabalhistas e à organização das bases operárias e estudantis paulistas.
Organização de Dados: Quadro Geral dos Candidatos ao Governo de SP (Eleições 2026)
Para sintetizar o panorama das candidaturas registradas e o desempenho médio apurado pelos principais institutos de pesquisa no início da campanha eleitoral, a Gazzeta Paulista reuniu as informações oficiais na tabela a seguir:
| Candidato(a) | Partido / Coligação | Perfil / Trajetória | Média nas Pesquisas (1º Turno) |
| Tarcísio de Freitas | Republicanos (PL, MDB, PSD, União, PP, Podemos, etc.) | Atual Governador de SP e ex-ministro da Infraestrutura | 50,6% a 53,7% |
| Fernando Haddad | PT (Federação PT/PCdoB/PV, PSB e aliados) | Ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito de São Paulo | 33,6% a 34,0% |
| Vera Lúcia | PSTU | Ativista política e liderança sindicalista | 0,5% a 2,6% |
| Carlos Machado | PCB | Dirigente político e militante dos direitos sociais | 1,0% a 1,3% |
| Vivian Mendes | UP | Liderança de movimentos comunitários e de moradia | 0,3% a 0,8% |
| Izadora Dias | PCO | Militante política e defensora da causa operária | 0,1% a 0,3% |
Os Principais Desafios do Próximo Governo Paulista
Independentemente do resultado que sairá das urnas em outubro de 2026, o futuro gestor do estado de São Paulo enfrentará uma agenda complexa de desafios econômicos e sociais para os próximos quatro anos:
- Mobilidade e Infraestrutura Regional: A expansão das linhas de transporte sobre trilhos (Metrô e CPTM), a conclusão das obras do Trem Intercidades (TIC) e o combate aos gargalos logísticos no acesso ao Porto de Santos e às rodovias do interior.
- Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado: O fortalecimento do policiamento comunitário, o uso de tecnologia na inteligência policial e o enfrentamento às facções criminosas que atuam na Capital e nas divisas estaduais.
- Educação e Saúde Pública: O reajuste e valorização dos profissionais da educação básica, o combate à evasão escolar no ensino médio e a redução do tempo de espera por consultas e exames especializados através dos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs).
- Sustentabilidade e Gestão Hídrica: A implementação de políticas contra as mudanças climáticas, prevenção contra desastres naturais na Serra do Mar e no Litoral, além da segurança do abastecimento de água na Macrometrópole paulista.
A Gazzeta Paulista segue acompanhando diariamente a cobertura completa dos atos de campanha, sabatinas e debates dos candidatos ao Governo do Estado de São Paulo nas Eleições 2026.






































