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Empreendedorismo feminino e familiar ganha protagonismo na 67ª Paixão de Cristo em Taboão da Serra

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Empredendora Fernanda Oliveira e Familia Fotos Isaias Dutra-Gazzeta Paulista

Na noite desta última Sexta Feira 03/04/2026 marcada por fé, tradição e forte apelo cultural, a 67ª encenação da Paixão de Cristo em Taboão da Serra revelou um protagonismo que vai além dos palcos: o avanço silencioso — e cada vez mais visível — do empreendedorismo feminino e familiar nas periferias urbanas.

Elas simbolizam uma nova dinâmica econômica baseada na autonomia, na cooperação familiar e na sobrevivência digna em meio às dificuldades.

Economia da fé ou da necessidade?

Eventos religiosos de grande porte, como a tradicional encenação da Paixão de Cristo, historicamente atraem milhares de pessoas. Esse fluxo cria oportunidades que são rapidamente ocupadas por trabalhadores informais — em sua maioria mulheres.

No entanto, a presença crescente de famílias empreendedoras levanta um debate incômodo:
estamos diante de um avanço do empreendedorismo ou da precarização do trabalho?

A cena evidencia organização, cuidado sanitário (com uso de toucas) e apresentação dos produtos — características de quem busca profissionalizar sua atividade, mesmo sem apoio formal. Ao mesmo tempo, revela a ausência de políticas públicas estruturadas para microempreendedores locais.

O papel da mulher: liderança na base da economia

O protagonismo feminino é inegável. São elas que lideram, produzem, vendem e ainda integram os filhos ao processo, muitas vezes como forma de aprendizado e fortalecimento familiar.

Esse modelo de negócio familiar:

  • Garante renda imediata
  • Reduz custos operacionais
  • Cria vínculos comunitários
  • Incentiva a educação empreendedora desde cedo

Mas também expõe vulnerabilidades, como a falta de proteção social e acesso limitado a crédito e formalização.

Tradição, cultura e sobrevivência

A Paixão de Cristo em Taboão da Serra, além de sua importância religiosa, consolida-se como um verdadeiro motor econômico temporário. Ambulantes, artesãos e pequenos produtores transformam o espaço público em uma vitrine de resistência e criatividade.

Nesse contexto, o empreendedorismo feminino não é apenas uma escolha — é, muitas vezes, uma necessidade diante da ausência de oportunidades formais no mercado de trabalho.

Entre o romantismo e a realidade

Há um risco em romantizar essas cenas como exemplos de “superação”. A realidade é mais complexa:
por trás do sorriso e da organização, existe uma luta diária por renda, estabilidade e reconhecimento.

A imagem revela dignidade, mas também denuncia um sistema que ainda depende da informalidade para funcionar.

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