Greve dos Correiso em uma demonstração marcante de mobilização e unidade da categoria, os trabalhadores e trabalhadoras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de São Paulo lotaram a quadra da escola de samba Unidos do Peruche, na Zona Norte da capital, nesta quinta-feira (10 de setembro de 2026). Durante a assembleia geral promovida pelo sindicato da categoria (Sintect-SP), os ecetistas aprovaram a deflagração de uma greve por tempo indeterminado, iniciada oficialmente às 22h do mesmo dia.
A decisão coloca o estado de São Paulo na vanguarda do movimento nacional de paralisação, pressionando a diretoria da estatal e o Governo Federal por avanços concretos nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT 2026/2027).
Reivindicações da Categoria e Motivos da Paralisação
A aprovação da greve por tempo indeterminado ocorre após sucessivas rodadas de negociação sem consenso entre a representação dos trabalhadores e o comando da empresa pública. Entre as principais pautas cobradas pela categoria estão:
- Reajuste Salarial Digno: Recomposição das perdas inflacionárias acumuladas e ganho real acima da inflação.
- Melhoria nos Benefícios: Reajuste no vale-alimentação/refeição e redução dos custos de coparticipação no plano de saúde para ativos e aposentados.
- Segurança e Condições de Trabalho: Melhores condições estruturais nas unidades operacionais, renovação da frota de entregas e reforço nos protocolos de segurança contra assaltos e violência nas ruas.
- Concurso Público Urgentemente: Contratação de novos funcionários para suprir o déficit de efetivo nos centros de distribuição e agências, aliviando a sobrecarga de trabalho sobre os atuais empregados.
Impacto nos Serviços e Atendimento à População
Com o início da paralisação a partir das 22h de quinta-feira (10), a expectativa é de impactos graduais na triagem, distribuição e entrega de correspondências, encomendas de e-commerce e serviços postais em toda a Região Metropolitana de São Paulo e municípios do interior cobertos pelo sindicato regional.
Por se tratar de um serviço essencial, a lei de greve prevê a manutenção de um contingente mínimo de trabalhadores em operação para garantir o atendimento de urgências e demandas prioritárias da população.
Negociações e Próximos Passos
Os líderes sindicais destacaram que a categoria permanece aberta ao diálogo com a direção dos Correios e do Ministério das Comunicações, aguardando uma contraproposta que contemple de forma efetiva as reivindicações aprovadas na assembleia. Novas assembleias de avaliação deverão ser convocadas nos próximos dias para analisar o andamento das negociações e o direcionamento do movimento grevista.
O histórico de greves dos Correios no Brasil é longo e reflete décadas de disputas entre os trabalhadores, a direção da estatal e as diretrizes econômicas de diferentes governos. Marcada principalmente por demandas de reajustes salariais, manutenção de benefícios e protestos contra planos de privatização, a categoria tem uma das trajetórias sindicais mais ativas do funcionalismo público federal.
Principais Marcos Histórico
- 1979 (A Primeira Grande Greve): Em pleno regime militar, os trabalhadores dos Correios desafiaram a proibição de paralisações no setor público. A greve nacional foi motivada pela corrosão dos salários pela inflação e a falta de reajustes.
- 1985 e 1988 (Redemocratização): Com o fim da ditadura, o movimento sindical ganhou força. A greve de 1985 durou 30 dias na capital paulista antes de se espalhar. Em 1988, a categoria paralisou por 28 dias, acumulando milhões de cartas atrasadas e conquistando um reajuste de 35%, embora sob forte retaliação de demissões.
- Anos 1990 (Era das Privatizações): Durante os governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, as paralisações focaram na resistência contra as propostas de flexibilização do monopólio postal e em acordos coletivos complexos (como as greves de 1994 e 1995).
- Anos 2000 a 2015 (Greves Anuais e Rotina Coletiva): Praticamente todos os anos, no período de database (agosto/setembro), o sindicato deflagrava paralisações nacionais. Entre os destaques:
- 2011: Uma paralisação que durou 28 dias afetou gravemente o comércio e as entregas em todo o país.
- 2014: Os trabalhadores cruzaram os braços por 45 dias, uma das mais longas paralisações em termos de duração daquela década.
- 2020 (A Maior Mobilização Recente): Em plena pandemia da Covid-19, os funcionários iniciaram uma greve que durou 35 dias. Os motivos foram a suspensão de benefícios históricos do acordo coletivo, reclamações por falta de segurança sanitária e a forte oposição ao projeto de privatização defendido pelo governo federal na época.
- 2025 (Greve de Fim de Ano): Uma ala de trabalhadores em nove estados (incluindo grandes eixos logísticos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) iniciou uma greve parcial em meados de dezembro por conta de impasses na reposição inflacionária e cortes de gratificações natalinas (como o chamado “Vale Peru”). O Tribunal Superior do Trabalho (TST) interveio exigindo o contingente mínimo de 80% em atividade, e o movimento foi formalmente encerrado em 31 de dezembro de 2025.
Resumo das Maiores Paralisações (Duração)
A tabela abaixo compara as greves de maior impacto e extensão temporal da história da estatal:
| Ano da Greve | Duração Aproximada | Principais Motivações Reivindicadas |
|---|---|---|
| 2014 | 45 dias | Reajuste salarial, melhoria no plano de saúde e condições de trabalho. |
| 2020 | 35 dias | Manutenção de cláusulas sociais do acordo anterior e combate à privatização. |
| 1985 | 30 dias | Reconhecimento sindical na redemocratização e reposição de perdas inflacionárias. |
| 1988 | 28 dias | Reajuste real de salários e direitos trabalhistas após a nova Constituição. |
| 2011 | 28 dias | Contratação de novos funcionários por concurso e plano de cargos e salários. |
| 2025 | ~14 dias (parcial) | Reposição da inflação, manutenção de benefícios de fim de ano e crise financeira. |
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