Um banho de multidão e um forte resgate do orgulho operário marcaram o início oficial da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No último domingo, 16 de agosto de 2026, mais de 40 mil pessoas lotaram as arquibancadas e o gramado do Estádio Municipal 1º de Maio (histórico Estádio da Vila Euclides), em São Bernardo do Campo, para acompanhar o ato de abertura da caminhada eleitoral da chapa.
Visivelmente emocionado ao retornar ao local das históricas assembleias dos metalúrgicos de 1979, o presidente proferiu um discurso centrado em dados públicos, conquistas sociais e na defesa da educação e do trabalho formal como verdadeiras ferramentas de emancipação das famílias brasileiras.

1. Educação e Oportunidades: Expansão dos Institutos Federais e do Ensino Superior
Durante a sua fala para as dezenas de milhares de militantes e trabalhadores presentes, Lula enfatizou que a prioridade de um governo democrático é oferecer “portas de saída” da vulnerabilidade social por meio do estudo de qualidade e do emprego formal.
Entre os principais indicadores educacionais citados pelo presidente, destacam-se:
- Rede Federal de Ensino Profissionalizante (IFs): O presidente lembrou que, até 2003, o Brasil contava com apenas 140 escolas técnicas construídas ao longo de um século. Sob suas gestões, a rede ultrapassou 600 Institutos Federais, com o compromisso de atingir 782 unidades espalhadas por todas as regiões do país.
- Acesso à Universidade Pública: Lula recordou os investimentos realizados na expansão do ensino superior, com a criação de 175 novos campi universitários e quase 440 escolas técnicas. O objetivo central da política educacional permanece sendo a democratização do acesso, permitindo que filhos e filhas da classe trabalhadora ocupem os bancos das universidades públicas.
“Educação, saúde e emprego são a nossa prioridade máxima, porque sem essas três coisas o país não vai para frente. A universidade e o Instituto Federal são a escada para que o filho do trabalhador tenha vida própria e um futuro com dignidade“, defendeu o presidente.

2. Emprego, Renda e Isenção do Imposto de Renda
Ao abordar o cenário econômico, o presidente comemorou os índices de empregabilidade no país, apontando as menores taxas de desemprego registradas pelo IBGE nas séries históricas recentes. Para a gestão federal, o trabalho com carteira assinada é o principal motor para a geração de renda e autonomia financeira.
No âmbito da justiça fiscal, destacou-se o envio e a aprovação do projeto de lei que garante a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00 (equivalente a cerca de dois salários mínimos atuais), mantendo viva a meta de estender a faixa de isenção para rendimentos de até cinco salários mínimos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também presente ao ato, reforçou a diretriz de “colocar o trabalhador no orçamento e garantir a progressividade tributária sobre os mais ricos”.
3. Obras Estruturantes e o Papel Social do Bolsa Família
Outro marco citado no evento da Vila Euclides foi a retomada e conclusão de obras de infraestrutura social, com destaque para a Transposição do Rio São Francisco. A obra garante segurança hídrica e estimula o desenvolvimento econômico e a geração de empregos na região do semiárido nordestino.

Rebatendo críticas de opositores, o presidente detalhou a verdadeira dinâmica do programa Bolsa Família, ressaltando que o benefício foi desenhado como uma rede temporária de proteção contra a fome extrema:
- Garantia de Dignidade: A expansão de 3,6 milhões de famílias em 2003 para cerca de 21 milhões nos últimos anos refletiu o socorro imediato à população empurrada para a miséria durante os anos de crise e pandemia.
- Regra de Proteção (Estímulo ao Emprego): Desde 2023, o programa conta com a Regra de Proteção. O beneficiário que consegue um emprego formal pode continuar recebendo 50% do valor do benefício por até 2 anos, incentivando a entrada no mercado sem o receio de perda imediata da renda.
- Custo e Retorno Social: O investimento de cerca de R$ 168 bilhões anuais representa aproximadamente 1,5% do PIB nacional — um valor inferior aos subsídios e renúncias fiscais concedidos a grandes setores empresariais, mas com retorno direto no combate à fome de 30 milhões de brasileiros.
Organização de Dados: Síntese dos Principais Destaques do Discurso na Vila Euclides
Para estruturar os compromissos e os números apresentados durante o lançamento oficial da campanha em São Bernardo do Campo, a Gazzeta Paulista reuniu os pontos na tabela abaixo:
| Eixo do Discurso | Diagnóstico e Dados Apresentados | Metas e Compromissos Anunciados |
| Público Presente | Mais de 40 mil pessoas na Vila Euclides | Abertura oficial dos atos de rua em nível nacional |
| Institutos Federais | Salto de 140 unidades (2003) para mais de 600 em funcionamento | Meta de expansão para 782 unidades dos IFs |
| Ensino Superior | Expansão com 175 campi e cerca de 9 milhões de universitários | Ampliação das vagas públicas para filhos de trabalhadores |
| Justiça Fiscal | Aprovada isenção do IR para rendimentos de até R$ 5.000,00 | Promessa de avançar a isenção para até 5 salários mínimos |
| Bolsa Família | Retirou 30 milhões da fome extrema; conta com Regra de Proteção | Transição gradual para o mercado de trabalho formal |
| Infraestrutura | Consolidação da Transposição do Rio São Francisco | Garantia de água, desenvolvimento e renda no semiárido |
O grande público presente em São Bernardo do Campo reafirma o forte apelo popular da candidatura e coloca as pautas da educação inclusiva e do trabalho formal como o centro dos debates eleitorais no país.






































