quinta-feira, 25 julho, 2024

Lula: “Estamos começando uma nova era na relação Brasil-Bolívia”

Em declaração à imprensa após encontro bilateral com o presidente Luis Arce, líder brasileiro reforça potenciais de integração física e ampliação de negócios entre as nações em áreas como gás natural e fertilizantes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente da Bolívia, Luis Alberto Arce, em visita oficial a Santa Cruz de la Sierra, nesta terça-feira, 9 de julho. Os líderes conversaram sobre a ampliação das relações entre os dois países e a cooperação mútua para fomentar o desenvolvimento de ambas as nações, por meio da integração física e energética. Um dos acordos firmados entre Brasil e Bolívia pretende fortalecer a atuação na fronteira para combater o tráfico de drogas e de pessoas.

Estamos convencidos de que a integração não é mais retórica de discurso em época eleitoral. A integração é uma necessidade de sobrevivência dos países da América do Sul. Temos consciência de que o que fizemos aqui tem como perspectiva melhorar a qualidade de vida do povo da Bolívia e a qualidade de vida do povo do Brasil”Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

“Estamos começando uma nova era na relação Brasil-Bolívia. Estamos convencidos de que a integração não é mais retórica de discurso em época eleitoral. A integração é uma necessidade de sobrevivência dos países da América do Sul. Temos consciência de que o que fizemos aqui tem como perspectiva melhorar a qualidade de vida do povo da Bolívia e a qualidade de vida do povo do Brasil”, ressaltou Lula em declaração à imprensa.

» Íntegra do discurso do presidente Lula

O líder brasileiro exaltou a janela de oportunidade que a transição energética representa para Brasil, Bolívia e outros países sul-americanos. “Não temos a riqueza tecnológica de outros países, mas temos riquezas que a natureza nos permitiu e que o mundo necessita. Seja na produção de alimentos, na exploração de minerais críticos, na produção de hidrogênio verde, de energia eólica, solar, biomassa, biocombustível. Temos que oferecer ao mundo o que eles não têm”, argumentou.

DEMOCRACIA — Durante o encontro, o presidente Lula reafirmou apoio e solidariedade do Brasil ao presidente Arce e ao povo boliviano, após a tentativa de golpe de Estado no último 26 de junho. “Depois de 15 anos desde a última vez em que estive na Bolívia como Presidente, minha vinda simboliza mais que a retomada de uma relação de amizade. Ela representa a comunhão de dois países cuja trajetória tem importantes paralelos. Assim como no Brasil, a democracia boliviana prevaleceu após um longo caminho entrecortado por golpes e ditaduras”, disse. O presidente da Bolívia esteve no Brasil quatro vezes no último ano, o que reforça a proximidade de laços entre os dois países.

O líder boliviano agradeceu a visita de Lula, o papel do Brasil para que a Bolívia se tornasse parte do Mercosul e o fato de o presidente brasileiro ter se manifestado sobre a tentativa de golpe de estado de 26 de junho. Arce pontuou que a partir de hoje inicia-se uma nova era de relações exteriores entre os países, que irá para além de a Bolívia ser o principal fornecedor de gás natural do Brasil.

“Brasil e Bolívia tinham essa relação mais ligada à questão do gás. Agora, a partir da visão atual do Brasil, a partir do seu comando, sabemos que a Bolívia não é somente gás. Para nós, bolivianos, a integração física é importante. Está em pauta a integração para que possamos alcançar o Pacífico, o Atlântico, e a Bolívia tem papel importante nisso. Nós somos o trânsito mais direto, o caminho mais rápido para que o Brasil possa se ligar ao Pacífico. E vocês são o caminho mais rápido também para a Bolívia, através dos seus rios, para que cheguemos ao Atlântico. Nessa complementaridade de necessidades, nós podemos avançar”, declarou Arce.

COOPERAÇÃO — O presidente boliviano afirmou, ainda, que o país está iniciando um processo de industrialização e necessita da experiência do Brasil na área, especialmente relacionada às indústrias de química básica e fármacos. Ele destacou que o país continuará explorando, produzindo e comercializando gás, mas está voltado para matérias-primas como lítio e outros minerais. Na reunião, os chefes de Estado debateram a possibilidade de ampliar investimentos em gás natural e incrementar o volume exportado para o mercado brasileiro. O Brasil também quer fortalecer a implantação de uma fábrica de nitrogenados entre Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e Puerto Quijarro, para produção de fertilizantes.

INTEGRAÇÃO FÍSICA – Projetos de integração física também foram tema da reunião. “O engajamento boliviano é chave para a conclusão do conjunto de rotas que o Brasil tem chamado de Quadrante Rondon. Com a construção da ponte binacional sobre o rio Mamoré, o transporte de bens ficará mais barato, beneficiando em particular os estados de Beni e Pando (na Bolívia) e Rondônia e Acre (no Brasil). As propostas brasileiras para melhorar a navegabilidade no canal Tamengo e no rio Paraguai também visam a facilitar nossa conexão”, disse Lula.

AGENDA — A agenda de Lula na Bolívia — país com o qual o Brasil compartilha a sua maior fronteira, de mais de 3.400 quilômetros — incluiu reunião restrita com Arce, seguida por reunião ampliada com autoridades e parte da delegação brasileira. Após participar de almoço oferecido pelo presidente boliviano, há previsão do presidente Lula se reunir com lideranças de movimentos sociais. Na sequência, Lula participa do Fórum Empresarial Bolívia-Brasil, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

COMÉRCIO BILATERAL — Os principais produtos das exportações do Brasil para a Bolívia em 2023 foram barras de ferro e aço, barras, cantoneiras e perfis (6,1%), outros produtos comestíveis e preparações (5,3%), demais produtos da indústria de transformação (4,8%), veículos automóveis de passageiros (3,8%), óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (3,8%). Já os principais produtos das importações da Bolívia para o Brasil em 2023 foram: gás natural (86%); adubos ou fertilizantes (4,8%); demais produtos da indústria extrativa (2,6%); gás de petróleo e outros hidrocarbonetos gasosos (1,1%).

Matéria envida pela assessoria de Comunicação do Ministerio das Relações Exteriores

Redação Gazzeta Paulista
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