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Lula Volta à Histórica Vila Euclides em 16 de Agosto para Lançar Campanha de Reeleição

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um retorno de forte valor simbólico ao berço de sua trajetória política e sindical no próximo domingo, 16 de agosto de 2026. A partir das 9h, o Estádio Municipal 1º de Maio — eternizado na história brasileira como o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo — será o palco do primeiro ato oficial de rua da campanha de reeleição da chapa Lula-Alckmin.

O local foi escolhido estrategicamente por representar a gênese do movimento operário contemporâneo e o berço político do Partido dos Trabalhadores. A data marca a abertura oficial do período de propaganda eleitoral de acordo com o calendário estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Resgate das Assembleias Históricas de 1979 e a Resistência Operária

A volta do líder comunitário e presidente ao gramado da Vila Euclides resgata a memória das grandes assembleias dos metalúrgicos do ABC paulista realizadas em março de 1979. Naquele período, sob a ditadura militar, mais de 60 mil trabalhadores paralisaram montadoras e indústrias da região por reajustes salariais e liberdade sindical.

Sem palcos sofisticados ou estrutura de som moderna na época, o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos discursava sobre mesas improvisadas com um megafone para direcionar a multidão. O movimento, que enfrentou intervenção sindical e repressão policial, projetou Lula nacionalmente e abriu caminho para a reorganização da democracia no país.

Decorações e motes do encontro, sob o lema “Onde Tudo Começou, convocam a militância e apoiadores para relembrar o papel das lutas trabalhistas na construção das garantias sociais no Brasil.

Arranjo Político e Perspectivas para a Campanha de 2026

O ato em São Bernardo do Campo reunirá ministros de Estado, lideranças do PT e dirigentes dos partidos que compõem a coligação de apoio à candidatura do presidente. Durante as falas oficiais da pré-campanha, o presidente tem reiterado o significado de retornar ao estádio operário:

“Dia 16 é o grande dia. Lá vocês vão ver o começo da grande vitória. O Estádio da Vila Euclides é o lugar onde praticamente tudo na minha vida profissional e política começou, junto com o povo trabalhador do ABC.”

Além do resgate histórico, o ato abordará compromissos com o desenvolvimento socioeconômico, a valorização do salário mínimo, a expansão do emprego com direitos, a reindustrialização do país e os avanços em programas de proteção social.

Organização de Dados: Ficha Técnica do Ato Politico na Vila Euclides

Para sintetizar as informações oficiais referentes ao lançamento da campanha presidencial, a Gazzeta Paulista reuniu os detalhes operacionais no quadro abaixo:

Eixo AnalisadoDetalhes do Evento Oficial de Campanha
EventoAto de Lançamento da Campanha de Reeleição (Lula-Alckmin)
Data e HorárioDomingo, 16 de agosto de 2026, a partir das 9h
LocalizaçãoEstádio Municipal 1º de Maio (Histórica Vila Euclides)
MunicípioSão Bernardo do Campo – SP (ABC Paulista)
Mote Oficial“Lula: onde tudo começou”
Marcos HistóricosHomenagem às assembleias metalúrgicas de 1979 e lutas sindicais
Apoio PartidárioColigação ampla (PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL, Rede e aliados)

O evento marca a abertura oficial dos atos de rua em nível nacional, reafirmando o peso político e simbólico da região do ABC na trajetória da liderança petista.

Grandes assembleias e mobilização permanente marcaram a greve dos metalúrgicos do ABC de 1979, há 40 anos

No auge da onda de greves do ABC, a greve dos metalúrgicos de São Bernardo de 1979 começou com uma assembleia lotada no estádio da Vila Euclides. O processo, que durou de março a maio daquele ano, foi marcado por intervenção no Sindicato, grandes assembleias e por inovações, como a criação do fundo de greve.Por Carolina Maria Ruy

Assembleia na Vila Euclides, 1979. Foto Yugo Koyama.

No dia 12 de maio de 1978, mais de três mil metalúrgicos da Saab-Scania, em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, cruzaram os braços e pararam as máquinas por reposição e aumento salarial. Era ressurgimento das manifestações sindicais, reprimidas há dez anos após a repressão às greves de 1968. O movimento foi considerado ilegal pelo governo. Mas o empresariado, dada a força dos trabalhadores, se viu obrigado a negociar os reajustes em cada empresa. Com isso, ficou demonstrado o poder das comissões de fábrica e dos delegados sindicais nos locais de trabalho.

Aquele movimento deu ânimo ao III Congresso do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, de onde saíram as principais reivindicações da campanha salarial de 1979. O Congresso, realizado entre 6 e 16 de outubro de 1978, no Guarujá (litoral de São Paulo), debateu a autonomia e liberdade sindical, unidade e pluralidade sindical, contrato e convenção coletiva, eleições sindicais, receita e despesa e contribuição sindical. Depois dele o Sindicato passou a realizar reuniões de operários por empresas.

1979: novas reivindicações

No final de janeiro de 1979, os metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema estabeleceram suas reivindicações para a campanha salarial que começou em fevereiro: 34,1% de aumento real; piso salarial igual a três salário mínimos; vigência da Convenção Coletiva de Trabalho, de abril até outubro de 1979, para que pudesse coincidir com a data-base dos metalúrgicos da capital, Osasco e Guarulhos; reconhecimento e estabilidade para os delegados sindicais e redução da jornada de trabalho para quarenta horas semanais e reajustes trimestrais. Para aquela campanha o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, Luís Inácio Lula da Silva, teve uma ideia para aquela: convocar uma assembleia capaz de lotar um campo de futebol.

Joaquim dos Santos Andrade, Jacó Bittar (em pé à direita), Luís Inácio Lula da Silva e Henos Amorina (em pé à esquerda), durante a greve de 1979. Foto Yugo Koyama.

Assembleia da Vila Euclides

A campanha salarial ocorreu e, em assembleias realizadas nos dias 9 e 10 de março, os metalúrgicos decidiram declarar greve a partir do dia 13 daquele mês. A ideia de Lula de lotar um estádio ocorreu naquele dia, às vésperas da posse do general João Figueiredo na Presidência da República. Debaixo de chuva fina, 80 mil metalúrgicos ocuparam o gramado e as arquibancadas do estádio da Vila Euclides. Lula falou de cima de uma mesa, e suas palavras eram sucessivamente repetidas e passadas para diante, pois não havia palanque nem sistema de som.

A adesão à greve foi maciça: calcula-se que cerca de 200 mil trabalhadores cruzaram os braços em todo o processo. Eram trabalhadores da Ford, da Volkswagen, da Mercedes-Benz, da Brastemp, da Villares, da Schuler, da Vulcanus, da Motores Buffalo, da Saab-Scania, da Chrysler, da Cima, da Cofap, da Otis, da General Electric, entre outras fábricas de pequeno, médio e grande porte. O movimento também repercutiu no interior do Estado, com greves em São José dos Campos, Caçapava, Jacareí, Jundiaí, Campinas e Santa Bárbara d’Oeste.

Fundo de greve

No dia 15 de março os trabalhadores rejeitaram proposta de reajuste do TRT e reafirmaram sua decisão de levar a greve “até a vitória”, desencadeando uma campanha nacional em solidariedade aos grevistas. Um resultado desta campanha foi a criação, até então inédita no país, do Fundo de Greve, que consistia no recolhimento e distribuição de alimentos doados aos grevistas. Isso fortaleceu a resistência para longos dias de piquetes e repressões.

Intervenção

No décimo dia de greve (23/03), o Ministério do Trabalho propôs um protocolo de intenções que estabelecia a criação de uma comissão tripartite para estudar, no prazo de 45 dias, o índice de reajuste, a proibição de demissão aos grevistas e o pagamento das horas paradas a serem descontadas em parcelas. O protocolo seria levado aos trabalhadores e sua aprovação implicaria no retorno imediato ao trabalho. Mas, novamente, os operários, reunidos no Estádio de Vila Euclides, rejeitaram a proposta.

A greve foi então considerada ilegal e foi reprimida pela Polícia Militar na madrugada de 22 para 23 de março. O governo interveio nos sindicatos de metalúrgicos de Santo André, São Bernardo, e os trabalhadores passaram a se reunir na Igreja Matriz da cidade.

Trégua de 45 dias

No dia 26 de março, Lula e a diretoria do sindicato reassumiram a liderança do movimento, reafirmando a necessidade de manter a greve. Mas o movimento começou a refluir. Houve considerável retorno ao trabalho, o que fez com que a direção sindical e a comissão de salários percebessem que seria difícil manter os trabalhadores mobilizados.

Com isso, na assembleia geral do dia 27 de março, Lula e o comando de greve resolveram admitir os 45 dias, como uma trégua, nos moldes dos sindicalistas. Neste período, através de novas negociações com os patrões, tentar-se-ia obter um índice salarial satisfatório. Caso contrário, os metalúrgicos do ABC entrariam em greve novamente.

O Sindicato seguiu mobilizando os trabalhadores durante os dias de trégua. O salão paroquial da igreja matriz de São Bernardo do Campo passou a ser a sede da direção do movimento. Realizaram-se shows, torneios de futebol e várias outras atividades.

O fim da greve

Com o fim da trégua, no dia 13 de maio, foi realizada uma nova assembleia, onde o acordo, que estabelecia, entre outros itens, 63% de reajuste salarial (os trabalhadores reivindicavam 65%) foi apresentado aos trabalhadores. Naquele impasse, e devido à extensão da greve, o acordo foi aprovado e a greve, encerrada. Além disso, recuperar o Sindicato, que estava sob intervenção, era uma prioridade naquele momento. Mas os patrões não cumpriram o prometido e realizaram demissões e descontos nos salários dos trabalhadores grevistas.

Apesar da aprovação por maioria absoluta dos presentes, boa parte dos trabalhadores saiu insatisfeita daquela derradeira assembleia. Para eles, diferentemente da avaliação das lideranças, o movimento deveria continuar com a retomada da greve.

Setores oposicionistas à diretoria do Sindicato, ligados a correntes políticas, passaram a utilizar o descontentamento gerado com o fim do movimento para desgastar a Diretoria afastada. Isto fez com que os diretores, ao retornar, convocassem uma nova assembleia, onde seus mandatos foram colocados à disposição para que os presentes decidissem se deveria ou não retornar à direção do Sindicato. Os trabalhadores aprovaram a retomada oficial da direção do Sindicato, por unanimidade. No dia 18 de maio, o Sindicato foi devolvido aos trabalhadores.

Carolina Maria Ruy é coordenadora do Centro de Memória Sindical

Fontes: ABC de Lutas, Folha de SP, Portal Vermelho

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