O cenário internacional dos direitos humanos perdeu uma de suas referências mais resilientes. Faleceu neste domingo 14/06/2026, em Buenos Aires, na Argentina, aos 95 anos, a ativista e professora Taty Almeida. Ela exercia a presidência da Associação das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora (Madres de Plaza de Mayo – Línea Fundadora), consolidando-se como uma das vozes mais emblemáticas do continente na busca por memória, verdade e justiça em relação aos crimes cometidos pelo terrorismo de Estado.
A trajetória de Taty na militância humanitária teve início em meados da década de 1970, após o sequestro e subsequente desaparecimento forçado de seu filho, Alejandro Martín Almeida, que tinha apenas 20 anos. O jovem era estudante do primeiro ano de Medicina na Universidade de Buenos Aires (UBA) quando foi levado por integrantes da Tríplice A (Aliança Anticomunista Argentina), organização paramilitar que antecedeu e operou junto ao aparato de repressão do regime militar.
Uma Luta de Cinco Décadas Contra o Esquecimento
Assim como centenas de outras mulheres que compartilharam a dor da perda de seus filhos e filhas, Taty transformou o luto pessoal em uma das maiores manifestações de resistência pacífica da história contemporânea. Desde 1977, as Mães da Praça de Maio realizam, de forma ininterrupta, todas as quintas-feiras, marchas ao redor da pirâmide central da praça, localizada em frente à Casa Rosada, sede do Poder Executivo argentino em Buenos Aires.
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| Linha do Tempo e Dados Históricos | Detalhes da Trajetória de Luta |
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| Idade do Falecimento | 95 anos (Buenos Aires, Argentina) |
| Início das Marchas Semanais | 1977 (Ininterruptas às quintas) |
| Vítima de Desaparecimento | Alejandro Martín Almeida (20 anos) |
| Cenário Recente (Março/2026) | Homenagem aos 50 anos do golpe |
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No último dia 24 de março, data que marcou os 50 anos do golpe de Estado que instalou a ditadura militar no país vizinho, Taty Almeida realizou um de seus últimos pronunciamentos públicos de grande impacto. Na ocasião, a líder prestou uma homenagem oficial ao trabalho da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), responsável pela identificação científica de ossadas de vítimas da repressão. Em seu discurso, a professora ressaltou o desejo profundo de não falecer antes de localizar os restos mortais de Alejandro — um objetivo que, infelizmente, não pôde ser concretizado a tempo, uma vez que o nome de seu filho permanece na extensa lista de cidadãos desaparecidos.
O Legado e a Transição para Novas Gerações
A partida de Taty Almeida expõe o inevitável fator geracional que atinge as fundadoras do movimento. Durante as manifestações do cinquentenário do golpe, a própria ativista havia relembrado que restavam apenas três das mães pioneiras na condução direta da linha de frente da associação. Com o seu falecimento, o núcleo original conta agora com apenas duas integrantes vivas.
Apesar da redução física das fundadoras, a estrutura organizativa das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora reafirmou o compromisso de manter o movimento ativo por meio do engajamento de filhos, netos e novos militantes sociais.
“Temos a responsabilidade de continuar a contar a história para que nunca se repita; de continuar a gritar alto e claro: ‘Nunca Mais’; de defender a memória, a verdade e a justiça, como você nos ensinou”, publicou a entidade em nota oficial de despedida nas redes sociais.
O falecimento da líder gerou uma onda de manifestações e homenagens por parte de organizações civis, entidades jurídicas e representantes políticos de diferentes partes da América Latina, que destacaram o papel pedagógico e histórico desempenhado por Taty na consolidação da democracia e na denúncia internacional contra os abusos de poder e a violência institucionalizada.
