Uma grande ofensiva deflagrada na manhã desta terça-feira, 21 de julho de 2026, mira a espinha dorsal financeira e de comando do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo. Batizada de Operação Janus, a ação conjunta é realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Polícia Militar do Estado de São Paulo.
A força-tarefa foi mobilizada para o cumprimento de 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.
Desdobramento de Investigações e Lavagem de Dinheiro
A Operação Janus surge como um desdobramento direto de outras grandes ações de combate ao crime organizado no estado, como as operações Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas. O objetivo central desta nova fase é desmantelar a rede de operadores financeiros que atuam para encobrir e lavar os recursos ilícitos da facção.
Segundo as apurações do Gaeco, o grupo investigado utilizava métodos sofisticados para burlar os mecanismos de controle do sistema financeiro formal:
- Burlar o Sistema: Conversão de volumosas quantias de dinheiro em espécie para transferências bancárias.
- Contas ‘Laranjas’ e Empresas: Uso sistemático de empresas de fachada e contas registradas em nome de terceiros para ocultar a origem dos valores.
- Apoio à Cúpula: Disponibilização e circulação contínua de recursos financeiros para sustentar integrantes e colaboradores da alta cúpula da facção.
Envolvimento com “Tribunais do Crime”
Além dos crimes de lavagem de capitais, o Gaeco reuniu evidências de que os investigados exerciam papéis de liderança decisória dentro da organização. As apurações apontam a participação direta dos alvos em reuniões internas da facção destinadas à resolução de conflitos patrimoniais e acertos de contas — episódios conhecidos como “tribunais do crime”.
Apoio da ROTA e Bloqueio de R$ 10 Milhões em Ativos
Para a execução das ordens judiciais de prisão e busca, a operação contou com um aparato de elite do Comando de Policiamento de Choque (CPChq) da Polícia Militar. A tropa de apoio mobilizou 57 policiais militares e 19 viaturas, reunindo equipes do:
- 1º Batalhão de Polícia de Choque (ROTA);
- 3º Batalhão de Polícia de Choque;
- 4º Batalhão de Polícia de Choque (COE).
Como parte da estratégia de asfixia financeira do crime organizado, o Poder Judiciário decretou severas medidas cautelares patrimoniais. Foi determinado o bloqueio de ativos financeiros até o limite de R$ 10 milhões por investigado (pessoa física), além da indisponibilidade de bens, imóveis, veículos e o bloqueio de contas de pessoas jurídicas atreladas à estrutura de lavagem do grupo.
Organização de Dados: Síntese da Operação Janus
Para resumir os detalhes da ação do MPSP e da Polícia Militar contra a cúpula do PCC, as informações centrais do caso foram compiladas na tabela a seguirFeita pelo Portal Gazzeta paulista :
| Eixo Informativo | Detalhes da Operação Janus |
|---|---|
| Data da Operação | 21 de julho de 2026 (Terça-feira) |
| Órgãos Atuantes | MPSP (Gaeco) e Polícia Militar de SP (CPChq) |
| Efetivo Militar | 57 policiais e 19 viaturas (ROTA, 3º Choque e COE) |
| Mandados Expedidos | 18 prisões preventivas e 18 buscas e apreensões |
| Vara Expedidora | Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens |
| Asfixia Financeira | Bloqueio de até R$ 10 milhões por investigado em contas |
| Principais Crimes | Lavagem de dinheiro, organização criminosa e tribunal do crime |
| Origem do Nome | Referência a Janus (deus romano das transições/passagens) |
O nome dado à operação faz referência à divindade romana Janus, associada às passagens, portas e transições — uma alusão direta ao papel dos operadores de transitar recursos do dinheiro vivo para o sistema bancário oficial.
Conheça o GAECO:Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, dedicado a prevenir e reprimir as atividades de organizações criminosas no Estado.
