
A Polícia Civil de São Paulo identificou a cadeia criminosa de receptação utilizada pelos integrantes da quadrilha conhecida como “quebra-vidro” para comercializar celulares roubados e furtados na capital paulista. Como resultado das investigações, foi deflagrada nesta quarta-feira 10/06/2026 a Operação Contrafeixe, que tem como objetivo cumprir 19 mandados de busca e apreensão contra investigados envolvidos nos crimes.
A ação é conduzida por equipes especializadas da Polícia Civil e busca atingir não apenas os autores dos roubos e furtos, mas também os receptadores responsáveis pela comercialização dos aparelhos no mercado clandestino. Segundo os investigadores, os criminosos atuavam principalmente em vias movimentadas da cidade, aproveitando momentos de congestionamento para quebrar os vidros de veículos e subtrair celulares das vítimas.
Após os crimes, os aparelhos eram encaminhados para uma rede estruturada de receptadores. Esses integrantes da organização criminosa tinham a função de revender os dispositivos ou utilizá-los em esquemas de fraudes bancárias. De acordo com a polícia, o destino dos celulares variava conforme o estado do aparelho e a possibilidade de acesso aos dados armazenados.
As investigações apontaram que celulares desbloqueados possuíam valor significativamente maior no mercado clandestino. Isso porque permitiam acesso direto a aplicativos bancários e financeiros das vítimas, possibilitando transferências indevidas, movimentações de contas e outros tipos de golpes eletrônicos.
O delegado Fernando Santiago, responsável pelas investigações, destacou que o combate à receptação é considerado uma das estratégias mais eficazes para reduzir os índices de roubos e furtos de celulares.
“Os roubos e furtos de celulares geram um temor social que impacta diretamente a percepção de segurança da população. Por isso, além de analisar os boletins de ocorrência e mapear os locais com maior incidência desses crimes, também concentramos esforços na identificação dos receptadores. Eles são a linha de frente desse mercado clandestino. Se não houver quem compre e revenda os aparelhos, não haverá incentivo para a prática desses delitos”, afirmou o delegado.
A Polícia Civil ressalta que a atuação dos receptadores é fundamental para a manutenção desse tipo de atividade criminosa. Sem a existência de compradores e distribuidores ilegais, a comercialização dos aparelhos roubados ou furtados se torna inviável, reduzindo o interesse financeiro das quadrilhas especializadas.
O nome da operação, Contrafeixe, faz referência à chamada “Batalha dos Feixes”, episódio ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, os aliados conseguiram interceptar e decifrar sistemas de comunicação utilizados pelos alemães, obtendo vantagem estratégica em operações militares. A escolha do nome simboliza o trabalho de inteligência desenvolvido pela Polícia Civil para identificar os integrantes da organização criminosa, rastrear suas conexões e mapear toda a cadeia de receptação dos aparelhos subtraídos.
As investigações foram conduzidas pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disscpat), unidade vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). A operação mobilizou uma grande estrutura operacional, composta por 50 policiais civis e 22 viaturas.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes realizam buscas em diversos endereços ligados aos suspeitos. O objetivo é reunir novas provas, identificar outros participantes do esquema criminoso e aprofundar o mapeamento da rede de comercialização ilegal dos celulares.
A Polícia Civil informou que as diligências continuam em andamento e que novas fases da investigação não estão descartadas. O trabalho também busca localizar aparelhos furtados e roubados, além de reunir elementos que permitam responsabilizar criminalmente todos os envolvidos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, roubo, furto, receptação e furto eletrônico. As autoridades acreditam que a desarticulação da cadeia de receptação poderá impactar diretamente a atuação da quadrilha do quebra-vidro e contribuir para a redução dos crimes patrimoniais relacionados ao roubo e furto de celulares na capital paulista.
A Operação Contrafeixe reforça a estratégia da Polícia Civil de atuar em toda a cadeia criminosa, desde a prática do delito até a comercialização dos produtos roubados, buscando enfraquecer financeiramente as organizações criminosas e ampliar a sensação de segurança da população.