Entre os dias 3 e 6 de junho de 2026, a cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, será palco da II Romaria do Cerrado e da I Romaria do Pantanal. O evento reunirá povos indígenas, comunidades tradicionais, camponesas, quilombolas e diversas organizações sociais em um grande encontro de fé, mobilização e defesa dos territórios. Realizada às margens do Rio Paraguai, a iniciativa é organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), pela Articulação das CPT’s do Cerrado e pela Diocese de Santa Cruz de Corumbá.
Com o tema “No Cerrado e Pantanal, correm os segredos sagrados das águas”, a Romaria busca reafirmar a importância da preservação dos recursos hídricos para a sobrevivência dos povos e comunidades que vivem nesses biomas. Ao mesmo tempo, o encontro pretende chamar a atenção para os impactos provocados por grandes empreendimentos econômicos que afetam os ciclos naturais, comprometem os territórios tradicionais e colocam em risco diferentes formas de vida.
A iniciativa integra um amplo processo de mobilização popular que conecta diferentes regiões do país na defesa do Cerrado e do Pantanal. Além de fortalecer a organização social, a Romaria também promove o intercâmbio de experiências e a construção coletiva de estratégias voltadas à proteção ambiental e à garantia de direitos para as populações que vivem nesses territórios.
Programação reúne espiritualidade, cultura e mobilização popular
A programação da Romaria foi construída de forma coletiva e contempla momentos de espiritualidade, formação política, intercâmbio de experiências, denúncias socioambientais e manifestações culturais.
As atividades começam no dia 3 de junho, com a chegada dos romeiros e romeiras às comunidades anfitriãs para atividades de intercâmbio. Nesse momento, os participantes terão a oportunidade de compartilhar saberes tradicionais, conhecimentos ancestrais, práticas comunitárias e tecnologias desenvolvidas para o cuidado com a terra e com as águas.
No dia 4 de junho, os intercâmbios continuam nos municípios de Anastácio, Sidrolândia, Miranda e Corumbá. As atividades permitirão o contato direto com experiências locais de resistência e preservação ambiental. Ao final do dia, os participantes seguem para Corumbá, onde será realizada uma Feira Cultural e Ecológica. O espaço contará com apresentações culturais, manifestações artísticas e exposição de produtos agroecológicos e artesanais produzidos pelas comunidades participantes.
Já no dia 5 de junho, a programação prevê o encontro dos povos e comunidades do Cerrado e do Pantanal durante o período da manhã. À tarde, será realizado o Seminário Estadual de Educação do Campo, reunindo educadores, lideranças sociais e representantes de diferentes comunidades para discutir políticas públicas, formação cidadã e a garantia de uma educação de qualidade voltada às realidades do campo.
O encerramento acontece no dia 6 de junho, quando será realizado o momento mais simbólico da Romaria. Os participantes seguirão em caminhada celebrativa pelas margens do Rio Paraguai até o Porto Geral de Corumbá. A atividade será concluída com uma celebração final que reforça os valores da solidariedade, da justiça social e do Bem Viver. A caminhada representa a busca coletiva pela chamada Terra Sem Males, conceito presente em diversas tradições indígenas e associado à construção de uma sociedade mais justa e equilibrada.
Defesa das águas é defesa da vida
Para os povos do Cerrado e do Pantanal, as águas possuem um significado que vai muito além de sua importância econômica ou ambiental. Elas carregam histórias, memórias, espiritualidade, conhecimentos tradicionais e formas de cuidado construídas ao longo de gerações.
Entretanto, essas regiões vêm sofrendo impactos cada vez mais intensos provocados pelo avanço do desmatamento, da mineração, da expansão agrícola em larga escala e de grandes projetos de infraestrutura. Segundo os organizadores da Romaria, esses processos ameaçam diretamente os territórios, os modos de vida das comunidades e a preservação dos recursos naturais.
O Pantanal, considerado a maior área úmida contínua do planeta, enfrenta desafios relacionados à diminuição dos níveis de água, às queimadas e aos eventos climáticos extremos. Já o Cerrado, conhecido nacionalmente como o “berço das águas”, sofre com a destruição de nascentes e bacias hidrográficas fundamentais para o abastecimento de diversas regiões do Brasil.
Diante desse cenário, a II Romaria do Cerrado e a I Romaria do Pantanal surgem como um importante espaço de denúncia, reflexão e mobilização social. O encontro pretende fortalecer a união entre os povos e reafirmar que a defesa das águas, dos territórios e dos biomas brasileiros é uma condição essencial para garantir a vida, a cultura e os direitos das atuais e futuras gerações.
Serviço
II Romaria do Cerrado e I Romaria do Pantanal
Data: 3 a 6 de junho de 2026
Local: Corumbá (MS), às margens do Rio Paraguai
Tema: “No Cerrado e Pantanal, correm os segredos sagrados das águas”
