
A capital paulista deu um salto histórico em direção à segurança ambiental e à saúde pública. A cidade de São Paulo consolidou um avanço expressivo em seu índice de tratamento de esgoto, aproximando-se definitivamente da universalização dos serviços. De acordo com os dados mais recentes do Índice de Economias Conectadas ao Tratamento de Esgoto da Sabesp, a cobertura na capital saltou de 86% em 2024 para 94,1% em 2026. Com esse ritmo acelerado, a meta municipal é atingir a marca de 99% de esgoto tratado, antecipando em quatro anos o prazo limite originalmente estabelecido pelo Novo Marco Legal do Saneamento Básico.
Este avanço estrutural é o reflexo direto da expansão de aportes financeiros decorrentes da desestatização da Sabesp, promovida pelo Governo do Estado de São Paulo no ano de 2024. Após a transição de modelo de gestão, a companhia registrou um aumento de 120% nos investimentos aplicados, injetando somente no ano de 2025 o montante de R$ 15,2 bilhões em obras de infraestrutura e modernização de redes. Atualmente, conforme os indicadores do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), a capital já atinge patamares de universalização nos quesitos de distribuição de água potável (99,98%) e de coleta de esgoto (99,26%).
O Novo Ciclo de Aportes Financeiros em Saneamento
O novo arranjo contratual firmado com a Sabesp estabelece a obrigatoriedade de investimentos da ordem de R$ 260 bilhões até o ano de 2060. Desse total, R$ 70 bilhões serão integralmente aplicados até 2029 com o propósito de universalizar o saneamento em todo o estado.
Para ilustrar o abismo que separa a capacidade de investimento anterior e o cenário atual pós-desestatização, o Portal Gazzeta Paulista organizou um comparativo dos valores aplicados por habitante, tomando como base os dados do Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil:
| Indicador de Investimento por Habitante | Valor em Reais (R$) | Contexto e Comparativo de Mercado |
| Média Nacional de Investimentos (2024) | R$ 137,02 | Patamar médio registrado em todo o território brasileiro. |
| Média Histórica Sabesp (2017–2024) | R$ 171,00 | Investimento médio anual antes do processo de desestatização. |
| Mínimo Necessário para Universalização | R$ 225,00 | Aporte per capita estimado para garantir as metas até 2033. |
| Nova Projeção Anual da Sabesp | R$ 369,00 | Valor previsto que praticamente dobra a média anterior da companhia. |
Censo Social Inclui Comunidades Vulneráveis e Áreas Rurais
Um dos grandes diferenciais da atual fase de expansão é a mudança de escopo no atendimento social. Os contratos anteriores à desestatização limitavam a atuação da Sabesp apenas às áreas urbanizadas regulares ou em processo formal de regularização. Esse modelo técnico mantinha milhares de famílias residentes em comunidades periféricas vulneráveis e regiões rurais completamente à margem do acesso à água tratada e ao esgotamento básico.
Para reverter esse cenário de exclusão, foi iniciado em 2025 um amplo e detalhado censo populacional. O objetivo deste mapeamento é diagnosticar com precisão a realidade habitacional desses territórios rurais e assentamentos irregulares. Os dados coletados estão sendo utilizados para nortear as próximas frentes de obras de engenharia, garantindo que o avanço dos índices reflita a inclusão dessas populações historicamente desassistidas.
Estudo do MIT Comprova Impacto Socioeconômico do Saneamento
Os benefícios da expansão das redes de esgoto e água ultrapassam a barreira ambiental, gerando profundos reflexos na economia e no bem-estar social. Uma pesquisa desenvolvida pela MIT Technology Review, elaborada a partir do estudo de caso da Sabesp em São Paulo, demonstrou cientificamente a correlação entre saneamento e desenvolvimento humano.
“O acesso regular à água limpa e ao esgotamento sanitário atua como um catalisador de renda e produtividade. De acordo com o levantamento do MIT, cidadãos que habitam em áreas plenamente saneadas possuem um rendimento médio mensal de R$ 3.359, enquanto aqueles que vivem em locais sem acesso aos serviços registram uma média salarial de apenas R$ 2.103. No campo educacional, jovens que residem em lares com banheiro próprio alcançam notas significativamente superiores no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com destaque para as disciplinas de matemática e redação.”
Além disso, sob a ótica da saúde pública, a pesquisa resgata dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que apontam que cada US$ 1 investido em água e saneamento gera uma economia direta de US$ 4,3 em custos hospitalares e tratamentos médicos em todo o mundo. Na esfera ambiental e climática, a Sabesp projeta que a modernização das estações com tecnologias de baixa emissão evitará o lançamento de até 9,1 milhões de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera até 2050.
Obras Estratégicas: Perus e Paraisópolis em Destaque
O avanço dos índices na capital é impulsionado por grandes intervenções descentralizadas nas zonas Norte e Sul da cidade.
Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Perus
A região de Perus, na Zona Norte, passou a contar com tratamento de esgoto pela primeira vez na história. A nova estrutura representa um marco essencial para a despoluição e recuperação ambiental da bacia do rio Juqueri, um dos importantes afluentes do rio Tietê. Nesta primeira fase, a ETE Perus opera com um sistema convencional capaz de tratar 170 litros de esgoto por segundo, atendendo 250 mil moradores. O aporte nesta etapa foi de R$ 99,5 milhões, integrando um plano total de R$ 221 milhões.
A segunda etapa da obra, prevista para o último trimestre de 2026, introduzirá um sistema de tratamento avançado, elevando a capacidade da planta para 715 litros por segundo. No total, o Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) Perus — com conclusão programada para 2027 — receberá R$ 651 milhões em investimentos, implantando quilômetros de tubulações e estações elevatórias para beneficiar 400 mil habitantes.
Coletor Principal em Paraisópolis
Na Zona Sul, a comunidade de Paraisópolis — a segunda maior da capital — recebeu melhorias estruturais significativas. A Sabesp está executando a instalação de um coletor principal composto por duas novas tubulações de esgoto com 40 centímetros de diâmetro cada. Essa estrutura receberá todo o efluente gerado pela comunidade e o direcionará para tratamento na ETE Barueri, limpando as águas do Córrego Antonico e beneficiando diretamente cerca de 87 mil moradores. A entrega final está prevista para maio de 2027.
Programa IntegraTietê e a Despoluição de Afluentes
Todas essas intervenções urbanas estão integradas ao macroprograma IntegraTietê, coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). Considerado o maior projeto de recuperação socioambiental do Rio Tietê, o programa prevê aportes consolidados de R$ 23,5 bilhões até o ano de 2029.
As ações envolvem a ampliação da coleta e tratamento ao longo de mais de 1,1 mil quilômetros do rio e de seus riachos afluentes, além de frentes de desassoreamento e remoção de lixo flutuante. Até o momento, o IntegraTietê já removeu com sucesso cerca de 5 milhões de metros cúbicos de sedimentos e realizou a conexão de 1,5 milhão de novos domicílios à rede oficial de esgotamento, reduzindo drasticamente a carga orgânica que polui os mananciais da Grande São Paulo.