O talento, a criatividade e o compromisso com a sustentabilidade dos artesãos do Vale do Ribeira ganharam destaque nacional durante o 22º Salão do Artesanato – Raízes Brasileiras, realizado entre os dias 13 e 17 de maio, na cidade de São Paulo. Considerado uma das principais vitrines do artesanato brasileiro, o evento reuniu expositores de diversas regiões do país e proporcionou oportunidades de negócios, troca de experiências e valorização da cultura regional.
Dos dez artesãos paulistas selecionados para compor o estande do Sebrae-SP, sete eram representantes do Vale do Ribeira, demonstrando a força e a relevância da produção artesanal da região. O espaço do Sebrae reuniu, ao todo, 124 artesãos de 21 estados brasileiros e movimentou aproximadamente R$ 2,7 milhões em negócios durante os cinco dias de evento.
Os representantes do Vale do Ribeira chamaram a atenção do público por apresentarem trabalhos que unem tradição, identidade cultural e responsabilidade ambiental. Entre os materiais utilizados na produção das peças estavam ostras, vidro reciclado, fibra de bananeira, madeira de reuso, sementes e até borra de café, evidenciando o potencial criativo dos artesãos e a riqueza dos recursos naturais da região.
Para a artesã Maria Carmen Oliveira Lima, do Ateliê Maria Farinha, de Ilha Comprida, a participação no Salão do Artesanato foi uma experiência marcante e transformadora. Segundo ela, os cinco dias de evento foram intensos e repletos de oportunidades que ultrapassaram as expectativas iniciais.
“Foram cinco dias intensos de vendas, inspiração, trocas de saberes, novas conexões, futuras parcerias e oportunidades de negócios. Mais do que participar de um grande evento nacional, foi a confirmação de que o artesanato sustentável e com identidade de território tem espaço, reconhecimento e valor”, destacou a artesã.

Os resultados obtidos por Maria Carmen foram expressivos. Além da comercialização de mais de 200 peças produzidas com ostras, ela conquistou importantes parcerias comerciais. Entre elas, destacam-se negociações com duas lojas localizadas em aeroportos e uma loja do interior de Santa Catarina. A artesã também recebeu demonstrações de interesse do Sesc-SP para a realização de futuras oficinas e retornou para casa com uma encomenda estimada em cerca de 500 peças.
Além de artesã, Maria Carmen é presidente da Associação Criativos da Ilha Comprida – Loja do Porto, entidade que atua no fortalecimento da economia criativa e na valorização dos produtores locais.
Outro destaque do Vale do Ribeira foi o artesão Fernando Guiginski, fundador da KinTao Artesanal, em Iguape. Seu trabalho consiste na produção ecológica de instrumentos musicais confeccionados a partir de resíduos florestais, promovendo a reutilização de materiais e a conscientização ambiental.
Fernando avaliou positivamente sua participação no evento e ressaltou a importância do contato com outros empreendedores do setor artesanal.
“Foi uma experiência maravilhosa e inspiradora. Participar do Salão do Artesanato acrescentou muito na minha caminhada, por ter encontrado outros empreendimentos bem-organizados, que me ajudaram a entender para onde quero ir”, afirmou.
O artesão comercializou aproximadamente 200 peças durante a feira e praticamente esgotou todo o estoque que havia preparado para o evento. Além dos resultados financeiros, Fernando aproveitou a oportunidade para divulgar as belezas naturais e culturais do Vale do Ribeira.
“Convidei as pessoas para conhecerem Iguape, a Barra do Ribeira, onde o Ribeira encontra o mar, e toda a região. Foi muito promissor, fiz muitos contatos com lojistas, instituições de ensino e escolas e retornei com futuras oficinas previstas”, explicou.
O sucesso dos artesãos do Vale do Ribeira também reflete o trabalho desenvolvido pelo Sebrae-SP por meio do plano de economia criativa “Dá Gosto Ser do Ribeira”. De acordo com o analista de negócios do Sebrae-SP, Carlos Alberto Pereira Junior, o diferencial dos artesãos da região está justamente na conexão com o território e na valorização dos elementos culturais e ambientais locais.
“A partir do plano de economia criativa ‘Dá Gosto Ser do Ribeira’, trabalhamos não só a valorização da cultura e de todo o potencial da região, como também a questão da sustentabilidade, dos elementos naturais, a riqueza da nossa Mata Atlântica. Os artesãos enriqueceram seus trabalhos inspirando-se no seu próprio território e têm se destacado por isso”, destacou.
Além de Maria Carmen Oliveira Lima e Fernando Guiginski, também representaram o Vale do Ribeira no estande do Sebrae os artesãos Janayna de Oliveira Franco, de Iporanga; Giorgia Martines, de Ilha Comprida; a Associação Criativos da Ilha Comprida; Odirlei Franco de Lima, de Iguape; e Ricardo Garcia Rodrigues, de Ilha Comprida.
A participação dos artesãos do Vale do Ribeira no 22º Salão do Artesanato – Raízes Brasileiras reafirma o potencial da região como referência em artesanato sustentável, criativo e conectado às suas raízes culturais. O reconhecimento conquistado durante o evento fortalece a economia criativa regional e abre novas perspectivas para a geração de renda, preservação cultural e desenvolvimento sustentável.