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ABRASCI realiza sessão histórica em Luanda e empossa académicos angolanos em noite de integração lusófona5

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Luanda viveu uma noite de simbolismo, cultura e diplomacia intelectual. Pela primeira vez em território angolano, a Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura realizou uma Sessão Extraordinária para empossar novos membros, consolidando um movimento que vai além do protocolo: trata-se de um gesto político-cultural de aproximação entre Brasil e Angola.

O palco escolhido foi o emblemático Memorial Dr. António Agostinho Neto, onde académicos, artistas, empresários e representantes institucionais acompanharam a posse dos novos “imortais” da Academia.

Delegação brasileira marca presença

A missão oficial foi liderada por Waldireni Morais Chelala, presidente do Conselho de Diretores da ABRASCI, acompanhado pelo vice-presidente Nicholas Aguiar Dias, pelo diretor de Relações Públicas Arthur Farrat e pelo diretor de Comunicação Janssen Maciel Ribeiro.

A presença da cúpula reforça o caráter estratégico do evento, visto como parte do processo de internacionalização da instituição centenária e de fortalecimento da comunidade lusófona.

Novos académicos: ciência, gestão e liderança feminina

Tomaram posse como membros efetivos da ABRASCI personalidades de destaque nacional e internacional:

  • Benedito Paulo Manuel – docente, autor e gestor;
  • José Octávio Serra Vandunem – professor catedrático, autor e investigador;
  • António André Chivanga Barros – cientista e investigador;
  • Maria Helena Miguel – docente e investigadora;
  • Kussi Bernardo – académico, gestor e CEO da Multitel;
  • Lourdes Fernandes Caposso – académica, empresária, deputada e líder de mulheres parlamentares em África.

A lista inclui ainda oempresário e artista brasileiro Raimundo Lima, presidente da Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola e da Câmara de Comércio Angola-Brasil, ampliando o eixo cultural para o campo económico.

Homenagens à música angolana

A cerimónia também foi marcada por tributos a nomes consagrados da cultura. Receberam medalhas e certificados de mérito artistas como Yola Semedo, Filipe Mukenga, Nino Jazz e Dodô Miranda, além de Jay Lorenzo, Vladmiro Gonga, Alfredo Yungi, Bernard Roland e Mario Gomes.

O gesto conecta ciência, arte e memória histórica, sobretudo no contexto das comemorações do início da luta armada angolana, reforçando o papel da cultura como instrumento de identidade nacional.

Entre cultura e geopolítica: o que está em jogo?

A iniciativa levanta uma reflexão importante: academias são apenas guardiãs do saber ou também instrumentos de diplomacia cultural? Ao cruzar o Atlântico e promover uma posse oficial em Luanda, a ABRASCI insere-se numa agenda mais ampla de cooperação Sul-Sul.

Num momento em que Brasil e Angola buscam aprofundar parcerias económicas e políticas, a cultura surge como ponte estratégica. A academia, tradicionalmente associada ao campo intelectual, assume assim um protagonismo que ultrapassa os muros académicos.

Para analistas, a noite histórica em Luanda simboliza um novo ciclo de integração da lusofonia — mas também desperta debates sobre o papel das academias na contemporaneidade, seus critérios de escolha e sua influência no cenário público.

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