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Saiba Quem Votou Contra o Fim da Escala 6×1 na Câmara dos Deputados

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Saiba Quem Votou Contra o Fim da Escala 6x1 na Câmara

A proposta histórica que reduz a jornada máxima para 40 horas semanais (Escala 6×1) e garante dois dias de descanso foi aprovada com folga, mas enfrentou forte oposição de alas conservadoras e liberais do Sul do país.

Na noite de 27 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados carimbou a aprovação em dois turnos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. O texto-base passou com ampla maioria — 461 votos a favor no segundo turno —, mas o placar registrou uma oposição ferrenha e regionalizada: 19 parlamentares votaram contra o texto definitivo (no primeiro turno, haviam sido 22 votos contrários).

A bancada da região Sul concentrou quase a totalidade da rejeição ao projeto, puxada principalmente pelos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O argumento central da oposição focou no impacto econômico para o setor produtivo, no risco de aumento da informalidade e em críticas ao que classificaram como um projeto “populista”.

Os Votos Contrários na Comissão Especial

Antes de chegar ao plenário, o texto precisou passar pela Comissão Especial, onde foi aprovado por 34 votos a 4. Os quatro únicos deputados que tentaram barrar o avanço do projeto logo na largada foram:

  • Gilson Marques (Novo-SC)
  • Julia Zanatta (PL-SC)
  • Mauricio Marcon (PL-RS)
  • Osmar Terra (PL-RS)

O Placar no Plenário: Oposição Concentrada no Sul

Quando a PEC chegou ao plenário, a oposição se manteve concentrada em alas ligadas ao agronegócio e ao setor empresarial. Santa Catarina foi o estado com a maior proporção de rejeição: 10 dos seus 16 deputados federais disseram “não” à proposta, o que representou quase metade de todos os votos contrários da Casa.

Abaixo, os nomes de destaque que registraram seus votos contra a PEC no plenário da Câmara:

Por Santa Catarina (10 deputados):

Deputado(a)Partido
Caroline de ToniPL
Daniel FreitasPL
Daniela ReinehrPL
Julia ZanattaPL
Ricardo GuidiPL
Zé Trovão*PL
Gilson MarquesNovo
Carlos ChiodiniMDB
Rafael PezentiMDB
Fabio SchiochetUnião Brasil

(Nota: Zé Trovão votou contra no primeiro turno e se ausentou no segundo).

Pelo Rio Grande do Sul (5 deputados):

Deputado(a)Partido
Bibo NunesPL
Lucas RedeckerPSD
Marcel van HattemNovo
Mauricio MarconPL
Osmar TerraPL

A Justificativa da Oposição

Os parlamentares que se posicionaram contra a medida argumentaram que a canetada em Brasília não reflete a realidade das empresas, especialmente dos pequenos negócios e do comércio.

O deputado Gilson Marques (Novo-SC), uma das vozes mais ativas contra a proposta, classificou o projeto como “populista e eleitoreiro”. Em suas redes sociais, Marques defendeu que a medida gerará um efeito cascata na economia: “O projeto, da forma como foi aprovado, vai aumentar a informalidade e causar o fechamento de negócios. Sou orgulhoso de Santa Catarina ter sido o único estado a formar maioria contra esse populismo”, declarou o parlamentar, que chegou a propor, sem sucesso, um substitutivo para que o trabalho fosse remunerado por hora.

A deputada Julia Zanatta (PL-SC) também usou as redes sociais para justificar seu voto. Após afirmar ter sido alvo de críticas intensas nas redes, Zanatta disse estar com a “consciência tranquila” por defender a livre iniciativa e os empregadores de seu estado. Representantes empresariais endossaram o discurso, alertando o Congresso de que o aumento do custo da folha de pagamento deverá ser inevitavelmente repassado aos preços de produtos e serviços.

O Que Muda Agora?

Apesar da oposição, o texto acordado com o Governo Federal e relatado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) segue agora para o Senado. Se validada, a nova regra estabelece:

  1. Redução da Jornada: De 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário.
  2. Dias de Descanso: Ficam garantidas duas folgas semanais (uma delas, preferencialmente, aos domingos).
  3. Transição: A implementação será gradual, começando 60 dias após a promulgação e sendo totalmente efetivada ao longo de 14 meses.

No Senado, entidades do setor produtivo já se articulam para pressionar por alterações no texto ou buscar um adiamento da pauta, embora a pressão popular e o amplo acordo político na Câmara indiquem um caminho pavimentado para a aprovação.

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