Realizada todos os domingos na tradicional Praça Nicola Vivilechio, no centro de Taboão da Serra, a feira de artesanato vem se consolidando como um dos principais pontos de encontro entre cultura, economia criativa e empreendedorismo local. A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Turismo em parceria com a Secretaria de Cultura, ganhou reforço estratégico daSecretaria de Desenvolvimento, que passou a integrar alunas formadas pela escola de gastronomia em uma barraca coletiva voltada à prática comercial.
O projeto vai além da exposição de produtos. Ele cria uma ponte direta entre formação profissional e geração de renda, permitindo que participantes — em sua maioria mulheres — testem receitas, aprimorem técnicas e, sobretudo, tenham contato direto com o público consumidor. Na prática, a praça se transforma em uma vitrine viva de talentos e um campo real de aprendizado.
Entre os produtos comercializados, doces artesanais, bolos em fatia e quitutes diversos chamam a atenção do público, evidenciando não apenas a qualidade técnica das alunas, mas também o potencial competitivo desses pequenos negócios. A identidade visual e a organização das barracas mostram um esforço crescente de profissionalização, ainda que desigual entre os expositores.
Apesar dos avanços, a iniciativa também levanta um debate necessário: até que ponto ações como essa conseguem sair do campo experimental e se tornar políticas públicas estruturantes? Especialistas apontam que, sem continuidade, acesso a crédito, formalização e acompanhamento técnico, o risco é que o empreendedorismo estimulado permaneça limitado à informalidade.
Outro ponto de atenção é a dependência do fluxo semanal. Concentrada aos domingos, a feira ainda enfrenta o desafio de garantir estabilidade de renda para os participantes, o que exige ampliação de canais de venda e integração com outras políticas de desenvolvimento econômico.
Por outro lado, o impacto social imediato é inegável. Para muitas alunas, a presença na Praça Nicola Vivilechio representa a primeira experiência concreta de autonomia financeira. É ali que o conhecimento adquirido em sala de aula ganha forma, valor e reconhecimento público.
A feira, portanto, assume um papel duplo: celebra a cultura e o empreendedorismo local, ao mesmo tempo em que expõe a necessidade de políticas públicas mais robustas e contínuas. Em meio a doces, artesanato e movimento popular, Taboão da Serra ensaia um modelo de desenvolvimento que ainda está em construção.
































