Taboão da Serra será palco, no próximo dia 9 de maio, de um importante debate sobre racismo estrutural, desigualdade social e reparação histórica com a realização do Fórum 13 de Maio – “A Falsa Abolição”. O evento acontece das 9h às 12h, no Centro de Formação Tula Pilar, localizado na Rua Alfredo Wolf, 150, no Jardim Maria Rosa.
Organizado pela COMPIR Taboão da Serra, o encontro propõe uma reflexão crítica sobre os impactos sociais deixados após a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, data oficialmente marcada pela abolição da escravidão no Brasil. Para movimentos negros, pesquisadores e ativistas, no entanto, a abolição ocorreu sem qualquer garantia de inclusão social, econômica ou educacional para a população negra recém-liberta, criando um cenário de desigualdade histórica que ainda ecoa no país.
A arte oficial do evento traz correntes rompidas e destaca três grandes painéis temáticos: Educação, Saúde e Segurança Pública, áreas frequentemente apontadas por especialistas como espaços onde o racismo estrutural ainda se manifesta de forma profunda.
Educação e reparação histórica
No Painel Educação, o debate será conduzido pela professora Patrícia Nunes e pela professora mestre Najara Costa. O foco será a importância das políticas afirmativas, cotas raciais e mecanismos de reparação histórica diante das consequências deixadas pela escravidão.
Especialistas apontam que, mesmo após mais de um século da abolição, a população negra continua enfrentando maiores índices de evasão escolar, desigualdade no acesso ao ensino superior e menor renda média no mercado de trabalho.
Saúde e racismo institucional
O Painel Saúde contará com Alva Helena e Sheila Ventura, trazendo discussões sobre racismo institucional no acesso à saúde, além da prevalência de doenças crônicas que atingem com maior intensidade a população negra.
O debate também deve abordar a dificuldade histórica de acesso a atendimentos de qualidade, mortalidade materna, saúde mental e a invisibilidade de determinadas doenças dentro das políticas públicas nacionais.
Segurança pública e perfilamento racial
Já o Painel Segurança será comandado pelo professor mestre Lívio Rocha, discutindo segurança pública e racismo estrutural, incluindo temas como criminalização da população negra, abordagens policiais e perfilamento racial.
O tema permanece no centro das discussões nacionais diante dos elevados índices de violência que atingem jovens negros nas periferias brasileiras, além das constantes denúncias envolvendo abordagens seletivas e desigualdade no sistema penal.
Debate histórico segue atual
O nome do fórum — “A Falsa Abolição” — carrega forte peso político e histórico. Para movimentos sociais, a libertação formal dos escravizados não foi acompanhada de políticas de inclusão, acesso à terra, educação ou emprego, perpetuando ciclos de pobreza e exclusão.
Mais de 136 anos após a assinatura da Lei Áurea, o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados ao racismo estrutural, desigualdade social e representatividade, tornando eventos como este espaços de reflexão, conscientização e construção de políticas públicas.
A iniciativa reforça a importância do debate coletivo sobre justiça racial, igualdade de oportunidades e memória histórica, especialmente em um país que possui a maior população negra fora do continente africano.

































