Movimento ambientalista e cultural critica falhas no Plano Diretor de Taboão da Serra e cobra novas audiências públicas

Representantes do movimento ambientalista, cultural e de coletivos populares de Taboão da Serra divulgaram uma avaliação crítica sobre o Projeto de Lei Complementar nº 036/2025, que trata do novo Plano Diretor do município. O documento aponta falhas estruturais na participação popular, ausência de aprofundamento técnico em temas ambientais e culturais, além de defender a ampliação do debate com a população periférica da cidade.

Entre as entidades envolvidas estão o Fórum Popular da Natureza, Coletivo Mamilos da Terra, APA das Nascentes, MAPAS e integrantes do Conselho Municipal de Cultura de Taboão da Serra.

Segundo o manifesto, o atual processo de discussão “não pode resultar na aprovação de um Plano Diretor com tantas falhas”, defendendo a realização de novas audiências públicas descentralizadas, inclusive nos bairros periféricos, além de audiências temáticas voltadas à cultura, meio ambiente e moradia popular.

Participação popular considerada insuficiente

O movimento afirma que apenas na segunda audiência pública houve espaço efetivo para manifestação popular dentro do parlamento municipal. Ainda segundo o texto, diversos segmentos da sociedade ficaram sem representação adequada, como servidores públicos, sindicatos, estudantes e profissionais das áreas da saúde e educação.

Outro ponto criticado foi a falta de interação digital durante as transmissões das audiências públicas pela internet. Conforme o documento, não houve coleta de perguntas ou propostas enviadas pela população através do canal da Câmara Municipal no YouTube.

Também foi destacada a baixa participação de pessoas com deficiência no processo de discussão.

Falta de transparência e material incompleto

Os coletivos apontam ainda que os materiais técnicos do Plano Diretor foram disponibilizados apenas um dia antes da primeira audiência pública, o que teria inviabilizado uma análise adequada da população.

De acordo com o movimento, parte dos dados apresentados estaria incompleta, principalmente no setor cultural. O documento afirma que apenas cinco equipamentos culturais aparecem nos mapas oficiais, apesar da existência de mais de 30 espaços identificados no município, incluindo praças e áreas verdes utilizadas como polos culturais.

Os grupos também alegam que levantamentos sobre imóveis vazios realizados em 2024, com potencial utilização para cultura e economia criativa, não chegaram ao Legislativo Municipal.

Críticas ao licenciamento e risco ambiental

Outro eixo de preocupação envolve o chamado “Licenciamento Integrado e Liberdade Econômica”. Os movimentos afirmam que o texto do Plano Diretor não deixa claro quais empreendimentos poderão utilizar os mecanismos simplificados de licenciamento.

O documento alerta para possíveis riscos de degradação ambiental, devido ao caráter autodeclaratório previsto para determinados tipos de atividades consideradas de pequeno ou médio impacto.

Segundo os coletivos, a cidade já enfrenta dificuldades na fiscalização ambiental e urbana, o que poderia agravar problemas relacionados à poluição e ocupação desordenada.

Propostas de emendas e criação de áreas culturais protegidas

Entre as propostas apresentadas está uma emenda ao artigo 67 do PLC 036/2025, determinando que o planejamento urbano seja obrigado a garantir a integridade dos ecossistemas locais, priorizando a proteção de rios e florestas sobre interesses imobiliários.

Os movimentos também propõem a criação e fortalecimento das chamadas AEICs — Áreas de Especial Interesse Cultural.

A proposta prevê que essas áreas sejam definidas com participação popular, mapeamento cultural permanente e deliberação do Conselho Municipal de Política Cultural.

Os coletivos defendem que as AEICs contemplem:

  • espaços culturais fixos e itinerantes;
  • manifestações culturais populares;
  • praças e parques utilizados por coletivos culturais;
  • territórios de memória;
  • espaços de cultura urbana;
  • corredores verdes e culturais.

Cultura, meio ambiente e identidade urbana

O documento defende uma integração entre cultura e preservação ambiental através da criação de zonas de preservação ambiental e cultural, chamadas de ZPAC.

A proposta busca proteger áreas verdes utilizadas pela população em atividades culturais, evitando o avanço do adensamento urbano considerado predatório.

Entre os locais citados como potenciais territórios de interesse cultural e ambiental estão:

  • Praça Nicola Vivilechio;
  • Praça Miguel Ortega;
  • Parque das Hortênsias;
  • Cristo Redentor;
  • CEMUR;
  • espaços de samba, capoeira e cultura popular.

Segundo os movimentos, esses locais já possuem reconhecimento social e representam a identidade cultural viva do município.

Economia criativa e desenvolvimento sustentável

Outro destaque do documento é a defesa de políticas públicas voltadas à economia criativa, incluindo incentivos a cooperativas culturais, audiovisual, cultura urbana e formação artística.

Os coletivos citam experiências já existentes em cidades como Osasco e Diadema e defendem que Taboão da Serra se torne um polo regional de economia criativa, capaz de gerar emprego, renda e fortalecimento cultural.

O texto é assinado por:

  • Me. Mirian Steinberg — Coletivo Mamilos da Terra, Fórum Popular da Natureza, APA das Nascentes, MAPAS e Conselho Municipal de Cultura de Taboão da Serra;
  • Dr. Marina Araújo — Fórum Popular da Natureza, Coletivo Mamilos da Terra, APA das Nascentes, MAPAS, Rede Ambiental do Butantã e Associação Cultural Monte Kemel.

Redação Geral Gazzeta Paulista
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