A cidade de Taboão da Serra dá um novo passo na tentativa de fortalecer sua identidade cultural e impulsionar a economia local. A tradicional Feira de Artesanato, já consolidada no Parque das Hortênsias, passa agora a operar em dois polos simultâneos — incluindo o Praça Nicola Vivilechio.
A iniciativa é fruto de uma articulação entre a Secretaria Municipal de Turismo, a Secretaria de Cultura e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Na prática, o projeto busca descentralizar a atividade cultural e ampliar o alcance do artesanato como ferramenta de geração de renda.
Cultura ou estratégia política?
A expansão da feira não é apenas uma decisão administrativa — ela carrega implicações políticas e sociais. Ao levar o evento para dentro do Parque das Hortênsias, a gestão municipal tenta reposicionar espaços públicos como centros ativos de convivência e consumo cultural.
Mas a pergunta que ecoa entre artesãos e frequentadores é direta: trata-se de valorização genuína da cultura local ou de uma vitrine institucional?
Historicamente, feiras de artesanato em cidades da Região Metropolitana de São Paulo enfrentam desafios estruturais: falta de incentivo contínuo, baixa divulgação e pouca profissionalização dos expositores. Ao ampliar os polos, a prefeitura assume também o risco de fragmentar o público — ou, em um cenário mais otimista, duplicar oportunidades.

Impacto econômico e social
A presença da feira em dois pontos estratégicos da cidade pode representar:
- Aumento no fluxo de visitantes em áreas distintas
- Maior visibilidade para pequenos empreendedores
- Estímulo ao turismo local de curta permanência
- Ocupação qualificada de espaços públicos
No entanto, especialistas em desenvolvimento urbano alertam: sem planejamento de longo prazo, iniciativas como essa tendem a se tornar eventos sazonais sem impacto estrutural.
O papel do artesanato na identidade urbana

Mais do que comércio, o artesanato carrega narrativas. Cada peça exposta representa não apenas técnica, mas história, identidade e resistência cultural. Ao institucionalizar essa prática, o poder público entra em um território sensível — onde incentivo e controle caminham lado a lado. ampliação da feira em Taboão da Serra pode, sim, marcar um novo ciclo de valorização cultural. Mas seu sucesso dependerá de fatores que vão além da inauguração de novos espaços: continuidade, investimento real e escuta ativa dos artesãos.A ampliação da tradicional feira de artesanato de Taboão da Serra ganhou um novo elemento político e conceitual. Segundo o secretário municipal de Cultura, Maestro Edison, a proposta vai além de manter a atividade na Praça Nicola Vivilechio: a meta é transformar o espaço em um verdadeiro “point” da cidade — um polo de encontro, convivência e consumo cultural.
A declaração revela uma mudança de visão. Não se trata apenas de preservar um ponto de cultura tradicional, mas de reposicioná-lo como centralidade urbana ativa, capaz de atrair diferentes públicos e movimentar a economia criativa.
De ponto cultural a “point”: o que muda?
Na prática, o conceito defendido pela Secretaria de Cultura busca dar nova dinâmica à feira:
- Mais circulação de pessoas ao longo do dia
- Integração com gastronomia, música e outras expressões culturais
- Ampliação do perfil do público, indo além dos frequentadores habituais
- Transformação do espaço em referência de lazer na cidade
A estratégia dialoga com tendências urbanas já vistas em grandes centros, onde praças deixam de ser apenas áreas de passagem e passam a funcionar como núcleos de experiência cultural.

O risco da descaracterização
Apesar do discurso otimista, especialistas alertam para um ponto sensível: ao transformar a feira em “point”, existe o risco de descaracterizar sua essência.
O artesanato, historicamente ligado à identidade local e à produção manual, pode acabar ofuscado por uma lógica mais comercial e estética, voltada ao consumo rápido e à atração de público.
A questão central permanece: o artesão será protagonista ou figurante nesse novo modelo?
Expansão e disputa de espaço
Com dois polos ativos — incluindo o Parque das Hortênsias — a cidade aposta na descentralização cultural. Porém, isso também levanta dúvidas sobre divisão de público, logística e sustentabilidade da iniciativa.
Se bem estruturada, a proposta pode consolidar Taboão da Serra como referência regional em economia criativa. Caso contrário, corre o risco de se tornar mais um projeto de impacto imediato e resultado limitado.
Cultura como vitrine de gestão
A fala do secretário evidencia um movimento cada vez mais comum nas administrações municipais: usar a cultura como instrumento de requalificação urbana e construção de imagem pública.
Transformar a praça em “point” pode significar mais vida, mais renda e mais visibilidade. Mas também exige planejamento, investimento contínuo e, sobretudo, respeito à base cultural que sustenta a iniciativa.
































