
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou em Genebra, na Suíça, um balanço detalhado de sua participação na Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, o chefe de Estado brasileiro destacou o posicionamento estratégico do país diante das maiores economias industrializadas do mundo, centrando seu discurso na necessidade urgente de combater os desequilíbrios globais nas esferas política, econômica e social.
Para o mandatário, os fóruns internacionais de alto nível precisam ir além da retórica e servir como plataformas reais para a redistribuição do crescimento econômico. Lula defendeu que as nações em desenvolvimento não devem ser vistas apenas como fornecedoras de matéria-prima barata, mas sim como mercados consumidores dinâmicos que necessitam de investimentos robustos em empregos e salários para reaquecer a economia global.
A Lógica Contra o Extrativismo: Minerais Críticos e Industrialização
Um dos pontos mais firmes defendidos pela diplomacia brasileira durante o evento na França diz respeito à governança das commodities estratégicas para a transição energética. Lula sinalizou que o Brasil está de portas abertas para o capital estrangeiro, mas impôs barreiras claras contra a exploração puramente extrativista de suas riquezas naturais.
“Quanto mais países estiverem interessados em fazer investimento nos nossos países, em comprar os nossos produtos e em estar dispostos a contribuírem participando da exploração, da industrialização e do enriquecimento das terras raras e de minerais críticos, desde que seja dentro do nosso país, sejam bem-vindos”.
O presidente relembrou traumas históricos da economia nacional para embasar a nova postura soberana do governo: “Não queremos repetir o ciclo do ouro, em que tudo ia embora e a gente ficava com nada. O mesmo no ciclo do minério de ferro, em que a gente exportava tudo e foi feita pouca industrialização no Brasil”. A meta brasileira é garantir que a agregação de valor tecnológico e o refino das terras raras ocorram em solo nacional, gerando cadeias produtivas complexas internamente.
Engajamento nas Sessões e Declarações Endossadas
A agenda de trabalho da delegação brasileira foi intensa, dividida em três sessões temáticas que abordaram desde a solidariedade internacional até o avanço ético da Inteligência Artificial.
Ao término da cúpula, o G7 emitiu oito declarações conjuntas resultantes das negociações multilaterais. O Brasil, representado por Lula e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, optou por endossar formalmente três desses manifestos prioritários:
- Segurança no Espaço Digital para Menores: Documento no qual o Brasil pôde compartilhar suas experiências legislativas recentes no ambiente de proteção à infância.
- Cooperação para o Combate ao Câncer: Acordo internacional focado no intercâmbio de pesquisas oncológicas e democratização de tratamentos.
- Combate Internacional ao Narcotráfico: Tema classificado pelo governo brasileiro como de máxima relevância para a segurança de suas fronteiras e relações de vizinhança.
Ambiente Digital, Reuniões Bilaterais e o Avanço do Acordo EFTA
No debate voltado à segurança cibernética e redes sociais, o presidente fez questão de apresentar aos líderes mundiais duas medidas recentes adotadas no território nacional: a proibição do uso de telefones celulares nas escolas e a consolidação do chamado “ECA Digital”, classificado por ele como a regulação digital para jovens e adolescentes mais importante do mundo na atualidade.
Paralelamente às plenárias, Lula cumpriu uma extensa agenda de reuniões bilaterais com figuras-chave da geopolítica contemporânea, incluindo os presidentes Emmanuel Macron (França), Volodymyr Zelensky (Ucrânia), Abdel Fattah El-Sisi (Egito), Guy Parmelin (Suíça), além dos líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen e António Costa. Um dos principais desdobramentos práticos foi o encontro com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, onde selou-se o compromisso de lançar oficialmente as negociações comerciais entre Japão e Mercosul na cúpula do bloco sul-americano, agendada para o dia 30 de junho em Assunção, no Paraguai.
Por fim, o ministro Mauro Vieira trouxe uma notícia considerada altamente auspiciosa para o comércio exterior do país. Enquanto a comitiva presidencial se deslocava da França para a Suíça, o Legislativo Suíço aprovou por ampla maioria o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio). Vale lembrar que a matéria foi aprovada na Câmara dos Deputados do Brasil na semana passada e segue agora em ritmo acelerado de análise no Senado Federal, pavimentando o caminho para uma expansão histórica nas exportações brasileiras de alto valor agregado.