Para o mandatário, a participação na Cúpula do G7 e em outros fóruns internacionais de alto nível precisa ir além da retórica tradicional, servindo como plataforma real para a redistribuição do crescimento econômico. Lula defendeu que as nações em desenvolvimento não devem ser vistas apenas como fornecedoras de matéria-prima barata, mas sim como mercados consumidores dinâmicos que necessitam de investimentos robustos em empregos e salários para reaquecer a economia global.
A lógica contra o extrativismo: minerais críticos e industrialização nacional
Um dos pontos mais firmes defendidos pela diplomacia brasileira durante a participação na Cúpula do G7 diz respeito à governança das commodities estratégicas para a transição energética global. O governo federal sinalizou que o Brasil está de portas abertas para o capital estrangeiro, mas impôs barreiras claras contra a exploração puramente extrativista de suas riquezas naturais e minerais.
“Quanto mais países estiverem interessados em fazer investimento nos nossos países, em comprar os nossos produtos e em estar dispostos a contribuírem participando da exploração, da industrialização e do enriquecimento das terras raras e de minerais críticos, desde que seja dentro do nosso país, sejam bem-vindos”, destacou o presidente durante a coletiva.
O presidente relembrou traumas históricos da economia nacional para embasar a postura soberana que pautou a participação na Cúpula do G7: “Não queremos repetir o ciclo do ouro, em que tudo ia embora e a gente ficava com nada. O mesmo no ciclo do minério de ferro, em que a gente exportava tudo e foi feita pouca industrialização no Brasil”. A meta brasileira é garantir que a agregação de valor tecnológico e o refino das terras raras ocorram em solo nacional, gerando cadeias produtivas complexas internamente.
Engajamento nas sessões e as três declarações internacionais endossadas
A agenda de trabalho da delegação brasileira foi intensa, dividida em três sessões temáticas que abordaram desde a solidariedade internacional até o avanço ético da Inteligência Artificial. Ao término dos debates que pautaram a participação na Cúpula do G7, o bloco emitiu oito declarações conjuntas resultantes das negociações multilaterais. O Brasil, representado por Lula e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, optou por endossar formalmente três desses manifestos prioritários:
- Segurança no Espaço Digital para Menores: Documento no qual o Brasil pôde compartilhar suas experiências legislativas recentes no ambiente de proteção à infância.
- Cooperação para o Combate ao Câncer: Acordo internacional focado no intercâmbio de pesquisas oncológicas e democratização de tratamentos.
- Combate Internacional ao Narcotráfico: Tema classificado pelo governo brasileiro como de máxima relevância para a segurança de suas fronteiras e relações de vizinhança.
Ambiente digital, reuniões bilaterais e o avanço histórico do Acordo EFTA
No debate voltado à segurança cibernética, a participação na Cúpula do G7 serviu de vitrine para o presidente apresentar duas medidas recentes adotadas no território nacional: a proibição do uso de telefones celulares nas escolas e a consolidação do chamado “ECA Digital”, classificado por ele como a regulação para jovens mais importante do mundo na atualidade.
| Líderes em Reunião Bilateral | País / Bloco Representado | Pauta Central do Encontro |
| Emmanuel Macron | França | Cooperação em transição energética e investimentos franceses. |
| Volodymyr Zelensky | Ucrânia | Perspectivas e discussões sobre acordos multilaterais de paz. |
| Abdel Fattah El-Sisi | Egito | Relações comerciais bilaterais e parcerias no hemisfério Sul. |
| Sanae Takaichi | Japão | Abertura de negociações oficiais de comércio entre Japão e Mercosul. |
Um dos principais desdobramentos práticos paralelos à participação na Cúpula do G7 foi o encontro com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, onde selou-se o compromisso de lançar oficialmente as negociações comerciais entre Japão e Mercosul na cúpula do bloco sul-americano, agendada para o dia 30 de junho em Assunção, no Paraguai.
Por fim, o ministro Mauro Vieira trouxe uma notícia considerada altamente auspiciosa para o comércio exterior. Enquanto a comitiva consolidava a participação na Cúpula do G7, o Legislativo Suíço aprovou por ampla maioria o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio). A matéria, aprovada na Câmara dos Deputados do Brasil na semana passada, segue agora em ritmo acelerado de análise no Senado Federal, pavimentando o caminho para uma expansão nas exportações brasileiras de alto valor agregado.
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