Moradores do loteamento Recanto do Passaredo, localizado na região do Novo Retiro, em Esmeraldas (MG), denunciam uma realidade que ultrapassa o descaso urbano e já atinge diretamente a segurança e a saúde da população.
Sem rede de esgoto, com ruas tomadas pelo mato alto e ausência de manutenção básica, a comunidade agora convive também com o aparecimento frequente de animais peçonhentos, especialmente cobras, que têm sido vistas circulando entre vias e áreas residenciais.
Segundo relatos de moradores, os registros aumentaram nos últimos dias, principalmente nas regiões com maior concentração de vegetação.
“Está perigoso. Já vimos várias cobras perto das casas. Crianças e idosos ficam mais vulneráveis”, relata um residente.
A presença desses animais é associada ao crescimento descontrolado do mato, que cria ambiente propício para abrigo e proliferação.
Enquanto isso, problemas antigos seguem sem solução.
A ausência de saneamento básico continua sendo uma das principais reclamações. De acordo com informações repassadas à comunidade por representantes públicos, o loteamento estaria em situação irregular, o que impediria a implantação da rede de esgoto.
A explicação, no entanto, gera revolta.
“Para cobrar IPTU todo ano, não tem irregularidade. Mas para trazer o básico, aí tem?”, questiona um morador.
A empresa responsável pelo loteamento, conhecida como Santa Rosa, afirma que já está ciente da situação e que equipes estariam avaliando o caso. Na prática, segundo os moradores, nenhuma medida efetiva foi tomada até o momento.
O cenário levanta questionamentos sobre a responsabilidade tanto da loteadora quanto do poder público, especialmente diante da ocupação já consolidada e da cobrança regular de tributos.
Diante da falta de respostas, os moradores começam a se organizar. Entre as ações discutidas estão denúncias ao Ministério Público, mobilização coletiva junto à Prefeitura de Esmeraldas e acionamento de veículos de imprensa.
“Não estamos pedindo favor. Estamos cobrando dignidade”, resume um dos moradores.
O caso do Recanto do Passaredo escancara um problema recorrente em diversas regiões: a comercialização de terrenos sem a devida garantia de infraestrutura mínima, deixando a população à mercê de promessas e soluções que não saem do papel.
Enquanto isso, no local, o cotidiano segue marcado pelo abandono — e pelo medo.
Por Dom Lucas Macieira da Silva-Jornalista Profissional – DRT 0023128/MG
Gazeta Paulista – Sucursal Minas Gerais
































