Uma megaoperação conjunta capitaneada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo e pelo Ministério Público estadual (MP-SP) desferiu um duro golpe estrutural e financeiro contra o crime organizado que atua de forma infiltrada nos serviços de utilidade pública da capital paulista. Deflagrada nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, a Operação Última Parada mirou um sofisticado e bilionário esquema de lavagem de dinheiro operado por meio de uma concessionária de transporte coletivo por ônibus que atua na cidade de São Paulo.
A ofensiva resultou na descoberta de um verdadeiro bunker logístico do tráfico de drogas, no confisco de armamento de guerra de grosso calibre e no cumprimento de ordens de prisão que alcançaram a esfera política municipal, evidenciando a capilaridade da facção investigada.
O Arsenal de Guerra e a Estrutura no Bunker da Zona Leste
Durante o cumprimento das ordens judiciais expedidas para a operação, as equipes de campo localizaram uma base operacional clandestina mantida pelos criminosos em um imóvel situado na Zona Leste da capital paulista. No local, que funcionava como ponto de apoio técnico e refúgio da organização, os agentes de segurança apreenderam quatro fuzis de assalto, armas de alto poder de destruição comumente utilizadas para a proteção de territórios e escolta de grandes carregamentos ilícitos.

Além do armamento bélico pesado, os policiais civis localizaram no endereço uma quantidade expressiva de substâncias entorpecentes, insumos químicos e porções de drogas que já se encontravam devidamente embaladas e etiquetadas para a comercialização imediata no mercado clandestino. Também foi apreendida uma máquina industrial automatizada utilizada para acelerar o processo de embalagem a vácuo dos entorpecentes, o que comprova o nível de industrialização da célula criminosa.
Para apresentar de forma transparente a dimensão dos mandados e as apreensões validadas pelas autoridades, o Portal Gazzeta Paulista compilou os dados oficiais da operação:
| Métricas da Operação Última Parada | Quantitativo Oficial / Valores | Status Operacional e Desdobramentos |
| Mandados de Busca e Apreensão | 103 ordens judiciais cumpridas | Executados na capital, Grande SP e Extrema (MG). |
| Mandados de Prisão Temporária | 5 ordens expedidas | Três alvos principais foram capturados pelas equipes. |
| Prisões em Flagrante no Bunker | 2 indivíduos detidos | Flagrados diretamente com os fuzis e as drogas. |
| Armamento de Guerra Confiscado | 4 fuzis de assalto apreendidos | Encaminhados para perícia técnica balística detalhada. |
| Bloqueio de Recursos Financeiros | R$ 194 milhões por investigado | Contas bancárias congeladas por determinação da Justiça. |
Alvos Políticos e Prisões na Capital e em Minas Gerais
A Operação Última Parada mobilizou centenas de policiais e promotores de Justiça para o cumprimento simultâneo de 103 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão. A área de cobertura da ação policial estendeu-se pela cidade de São Paulo, por municípios da Região Metropolitana (Grande SP) e avançou a fronteira estadual até alcançar a cidade de Extrema, localizada no sul do estado de Minas Gerais.
Até o momento, o balanço oficial aponta que três dos alvos que possuíam mandados de prisão preventiva foram localizados e detidos pelas forças integradas. Entre os presos da operação está um vereador em pleno exercício do mandato na cidade de São Paulo. A identidade do parlamentar é mantida sob sigilo pelas equipes de investigação para não comprometer os desdobramentos dos depoimentos, mas sua captura confirma a tese de infiltração política da facção. Outras duas pessoas foram presas em flagrante delito no exato momento em que guardavam os quatro fuzis e o maquinário de embalar drogas na Zona Leste.
“Só nesta operação encontramos quatro fuzis e realizamos prisões em flagrante. Isso demonstra que estamos no caminho certo, com a integração entre a Polícia Civil e o Ministério Público para combater organizações criminosas e seus mecanismos de lavagem de dinheiro”, destacou o secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
Origem do Caso: Do Homicídio de 2020 à Asfixia de R$ 194 Milhões
O trabalho de inteligência que culminou na deflagração da Operação Última Parada levou anos de maturação técnica e cruzamento de dados. O ponto de partida das investigações ocorreu no ano de 2020, a partir da apuração detalhada em torno do assassinato do então diretor da empresa de ônibus que agora figura como o epicentro do esquema.
A análise pericial minuciosa de materiais apreendidos na época do homicídio — incluindo telefones celulares, computadores corporativos e dispositivos de armazenamento em nuvem — abriu uma linha de investigação que permitiu aos policiais civis desvelar uma complexa engenharia financeira. A empresa concessionária de transporte estava sendo utilizada de fachada para integralizar capitais ilícitos, misturando o dinheiro público proveniente de subsídios e passagens com os recursos oriundos do tráfico de drogas e de armas.
Diante do robusto conjunto probatório apresentado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, o Poder Judiciário decretou sanções patrimoniais pesadas para sufocar o fluxo de caixa do grupo criminoso:
- Bloqueio Bancário: Congelamento de aproximadamente R$ 194 milhões localizados em contas bancárias vinculadas a cada um dos CPF e CNPJ investigados.
- Sequestro de Bens de Luxo: Apreensão e indisponibilidade de automóveis de alto padrão, imóveis urbanos e rurais, além de embarcações registradas em nome de laranjas.
- Intervenção Administrativa: Afastamento imediato e compulsório de toda a atual diretoria executiva da empresa de ônibus envolvida no esquema de lavagem.
Conexões Institucionais e Continuidade das Linhas de Investigação
De acordo com o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, o sucesso da operação é uma resposta direta à modernização das técnicas de investigação que miram a lavagem de capitais ao invés de focar apenas no policiamento de rua.
“O crime organizado não conhece fronteiras nem divisões institucionais. Por isso, a união das forças de segurança é fundamental para enfrentá-lo de forma eficiente. Hoje conseguimos transformar esse discurso em uma ação concreta e com resultados expressivos”, enfatizou Sayeg.
As apurações da Polícia Civil também apontam que o esquema de ônibus investigado possui ramificações e conexões diretas com outros inquéritos já instaurados em São Paulo que apuram a infiltração de facções em contratos de prestação de serviços públicos urbanos.
O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, reforçou o caráter técnico e paciente que norteia as ações do Ministério Público: “Cada operação é deflagrada no momento em que as provas permitem. É um trabalho construído ao longo dos anos, com compartilhamento de informações, produção de laudos técnicos e decisões judiciais”. Todos os fuzis, celulares e documentos recolhidos nesta quinta-feira passarão por perícia no Instituto de Criminalística para subsidiar novas denúncias criminais.