A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou, nesta quinta-feira (18/06/2026), a denominada Operação Reset. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Ribeirão Preto, no interior do estado, tendo como escopo principal desestruturar uma associação criminosa especializada em reinserir telefones celulares de origem ilícita no mercado formal. O grupo realizava o desbloqueio irregular do Identificador Internacional de Equipamento Móvel (IMEI) de aparelhos que haviam sido subtraídos em assaltos e furtos.
A ação desencadeada pela Operação Reset cumpre uma etapa fundamental no combate aos crimes de receptação e fraudes tecnológicas que alimentam a criminalidade urbana. Ao reativar os dispositivos eletrônicos que já constavam com restrição nos bancos de dados, a quadrilha gerava lucro ilegal imediato para o crime organizado e impulsionava diretamente a cadeia de delitos patrimoniais na região.
Modus operandi: invasão de sistemas restritos e fraude digital
As investigações que deram origem à Operação Reset foram iniciadas a partir de um alerta formal emitido pelo setor de segurança de uma operadora de telefonia celular, que detectou inconsistências e fraudes nos procedimentos de desbloqueio de sua plataforma digital. O trabalho investigativo de inteligência apontou para um esquema estruturado e com clara divisão de tarefas entre os integrantes do bando:
- Uso de Credenciais Clonadas: Os investigados utilizavam de forma indevida credenciais corporativas e senhas de acesso pertencentes a funcionários terceirizados.
- Invasão de Redes Restritas: Com os dados clonados, o grupo conseguia burlar a segurança e invadir o sistema computacional restrito da companhia telefônica.
- Manipulação de Protocolos: Os criminosos alteravam os mecanismos internos de controle das operadoras para validar as modificações remotas.
- Reativação Ilegal: Após superar as barreiras de proteção, o IMEI com registro de roubo ou furto era reativado, permitindo que o celular voltasse a operar normalmente nas redes.
O trabalho investigativo coordenado na Operação Reset permitiu identificar um mecanismo sofisticado utilizado para reativar aparelhos de origem ilícita e reinseri-los no mercado regular. As apreensões realizadas nesta etapa são fundamentais para ampliar a identificação dos envolvidos, explicou o delegado Fernando Bravo, responsável pelo caso.
Estatísticas: queda de quase 50% nos roubos de celulares em São Paulo
A desarticulação de laboratórios de desbloqueio clandestinos por meio da Operação Reset acompanha uma tendência de forte retração nos índices oficiais de criminalidade no estado de São Paulo. Conforme os últimos dados consolidados e divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), os roubos de celulares apresentaram uma queda expressiva de 49,5% no acumulado de quatro anos em território paulista.
| Indicador de Criminalidade (SP) | 1º Quadrimestre de 2022 | 1º Quadrimestre de 2025 | 1º Quadrimestre de 2026 |
| Roubos de Celulares | 54,3 mil ocorrências | 35,9 mil ocorrências | 27,4 mil ocorrências |
| Furtos de Celulares | 53,1 mil ocorrências | 52,5 mil ocorrências | 49,4 mil ocorrências |
Os números do primeiro quadrimestre demonstram o impacto das ações de repressão de fraudes. No balanço de furtos de aparelhos, o volume de 49,4 mil ocorrências nos primeiros quatro meses deste ano representa uma retração de 7% em relação a 2022 e uma diminuição de 6% na comparação direta com o mesmo período do ano passado.
Estrangulamento do mercado clandestino com o programa SP Mobile
As autoridades policiais ressaltam que essa redução consolidada, impulsionada por ações focadas como a Operação Reset, é fruto do reforço constante de operações de rua e do avanço de ferramentas tecnológicas integradas, como o programa estadual SP Mobile.
O sistema monitora, rastreia e bloqueia os aparelhos roubados ou furtados no exato momento em que os criminosos tentam reativá-los ou reinseri-los nas redes de telefonia. Essa tecnologia atua de forma preventiva, estrangulando o mercado clandestino de revenda e facilitando a localização dos dispositivos pelas equipes da Polícia Civil, o que assegura maior agilidade na devolução do patrimônio recuperado aos seus respectivos donos. Os materiais apreendidos pelas equipes da Deic na Operação Reset seguem agora para perícia técnica a fim de identificar receptadores e lojistas integrados ao esquema de fraude.
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