Um cenário que remete a períodos sombrios da história, quando o conhecimento foi tratado como descartável, ganhou contornos reais na cidade de Osasco. Denúncias apontam que exemplares da biblioteca municipal — fechada há seis anos — teriam sido simplesmente descartados em caçambas destinadas à reciclagem, sob responsabilidade da atual gestão, envolvendo diretamente o prefeito e a Secretaria de Cultura.
A imagem é simbólica e perturbadora: livros, muitos possivelmente raros ou de valor histórico, tratados como entulho.
PRESSÃO POPULAR REVERTE DESCARTE
Após a repercussão negativa e a indignação da população, empresas de reciclagem teriam recuado e devolvido o material à Prefeitura. No entanto, o retorno não significou preservação.
Hoje, os livros estão em situação ainda mais crítica: empilhados em grandes volumes, envoltos em plástico, sem ventilação adequada — um ambiente propício para proliferação de fungos, mofo e deterioração irreversível.
Especialistas alertam: se mantidos nessas condições por mais alguns meses, muitos exemplares poderão se perder definitivamente.
CULTURA DESCARTADA: UM ALERTA HISTÓRICO
A destruição ou negligência com acervos culturais não é um fato isolado na história. Episódios como a queima de livros na Alemanha Nazista simbolizam o apagamento de ideias, memória e identidade.
Sem comparações simplistas, o caso de Osasco levanta um debate urgente:
qual o valor da cultura e do conhecimento na gestão pública contemporânea?
CONVOCAÇÃO: ATO POR UMA CPI E SALVAÇÃO DO ACERVO
Diante da gravidade, movimentos sociais e defensores da cultura convocam a população para um ato público:
📍 Local: Câmara Municipal de Osasco
📅 Data: Quinta-feira (07/05)
⏰ Horário: 15h
A mobilização busca pressionar vereadores a instaurarem uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar responsabilidades pelo que já é chamado por muitos de “crime contra o patrimônio cultural”.
Após o ato, os manifestantes pretendem seguir até o gabinete do prefeito, exigindo a contratação imediata de uma empresa especializada em restauro de livros.
ENTRE O DESCASO E A RESPONSABILIDADE
O caso escancara uma crise mais profunda: bibliotecas fechadas, abandono de políticas culturais e a fragilidade na preservação da memória coletiva.
Se confirmadas as denúncias, não se trata apenas de má gestão — mas de um possível dano irreparável ao patrimônio público e histórico.
A pergunta que ecoa entre os cidadãos é direta:
quem vai responder por isso?

































