Ranking do Saneamento 2026: o município de Praia Grande, no litoral paulista, consolidou-se como a cidade com o maior volume de investimentos em saneamento básico por habitante em todo o território nacional. Com a aplicação de R$ 572,87 per capita, a dotação orçamentária do município supera em 322% a média nacional registrada entre os 100 maiores e mais populosos municípios do país, que se fixou em R$ 135,89.
Os dados foram oficialmente divulgados pelo Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, que toma como base analítica os resultados consolidados do setor. O avanço coincide com o processo de desestatização da Sabesp, que desencadeou um incremento histórico de 120% nos aportes estaduais entre os anos de 2024 e 2025, elegendo a Baixada Santista como uma de suas regiões prioritárias.
Cenário Nacional e o Desempenho de São Paulo
O panorama traçado pelo Instituto Trata Brasil revela uma profunda disparidade na infraestrutura urbana do país. Enquanto o Plano Nacional de Saneamento estima que seja necessário um investimento anual de R$ 225,00 por habitante para garantir a universalização dos serviços de água e esgoto, a realidade da maioria das grandes cidades caminha em ritmo mais lento.
Município / Média Avaliada – Investimento por Habitante (Per Capita)
Praia Grande (SP) R$ 572,87
Guarujá (SP) R$ 280,48
São Bernardo do Campo (SP) R$ 233,65
Patamar de Excelência (Planasb) R$ 225,00
Média das 100 Maiores Cidades R$ 135,89
O relatório indica que 51 municípios brasileiros investem menos de R$ 100,00 por morador — ou seja, menos da metade do valor recomendado para atingir as metas do Marco Legal. Em contrapartida, apenas 17 localidades superam a barreira dos R$ 200,00 por indivíduo, com dez delas operando em patamares considerados de excelência internacional.
O Plano de R$ 1 Bilhão para Praia Grande
Até o ano de 2029, Praia Grande passará por um ciclo contínuo de modernização sob a governança da Sabesp, em parceria direta com a Prefeitura Municipal. O pacote financeiro estruturado para a cidade soma R$ 1 bilhão. Deste montante, R$ 615 milhões correspondem a intervenções já em fase de execução em campo, enquanto outros R$ 179 milhões têm contratação programada para o decorrer deste ano.
O planejamento técnico engloba a execução de novas ligações domiciliares interligadas às redes coletoras de esgoto, implantação de estações de bombeamento (elevatórias), ampliação das redes de fornecimento de água potável e a construção da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) Melvi. A nova unidade adicionará 1.270 litros por segundo de água tratada ao sistema, beneficiando diretamente moradores e a população flutuante de turistas.
Os investimentos estruturais trarão impactos diretos na saúde pública, na valorização imobiliária e na balneabilidade de córregos e praias locais, abrangendo bairros como:
- Trevo e Melvi
- Nova Mirim e Anhanguera
- Tupiry e Intermares
- Imperador, Canto do Forte e Jardim da Glória
Baixada Santista no Topo do Ranking do Saneamento
A performance coletiva dos municípios da Baixada Santista posicionou quatro de suas principais cidades entre as 50 melhores do Brasil no Ranking do Saneamento 2026.
A cidade de Santos ocupa a 4ª colocação nacional, ostentando índices de 99,33% de cobertura de água e 98,46% de coleta de esgoto. Além disso, Santos registrou o segundo menor índice de desperdício de água do país, com perdas na distribuição limitadas a apenas 5,35% — superando antecipadamente as metas federais estipuladas para 2033. O município ficou atrás apenas de Suzano no indicador de eficiência de distribuição.
Na sequência regional, destacam-se Praia Grande (99,24% de água e 87,21% de esgoto), São Vicente na 25ª posição (94,07% de cobertura de água e 93,91% de esgoto) e Guarujá na 36ª colocação (89,76% de água e 75,94% de coleta de esgoto).
Macroinvestimentos de R$ 7,5 Bilhões até 2029
Para solucionar gargalos históricos de abastecimento e segurança hídrica em todo o litoral, o plano plurianual projeta o aporte de R$ 7,5 bilhões na Baixada Santista até 2029. O valor representa quase o triplo do orçamento executado na região entre 2017 e 2024, período em que a média anual de investimentos orbitava a casa dos R$ 400 milhões.
“O volume de recursos aplicados reflete a mudança de patamar financeiro da companhia após a desestatização, acelerando frentes de trabalho complexas que aguardavam execução há décadas.”
Entre as obras de engenharia de maior impacto macro regional, destacam-se três projetos:
- Adutora Santos–Guarujá (R$ 134,7 milhões): Obra estratégica voltada à segurança hídrica regional. Consiste na instalação de uma tubulação de 5,56 km de extensão — sendo 700 metros de travessia subaquática sob o canal do Porto de Santos — para direcionar até 500 litros de água por segundo da ETA Cubatão para o Guarujá. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2026, beneficiando mais de 450 mil pessoas.
- Pulmão de Reservação do Sistema Mambu Branco: Megareservatório com capacidade nominal para 40 milhões de litros de água tratada. A estrutura foi desenhada para atuar como estoque estratégico, mitigando a queda de produção decorrente de fortes chuvas e garantindo estabilidade no abastecimento interligado de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e a área continental de São Vicente.
- Nova ETA Melvi: Unidade produtora de água tratada focada no atendimento estrutural de 650 mil habitantes residentes em Praia Grande e na porção continental de São Vicente.






































