De acordo com o chefe de Estado brasileiro, embora as vantagens e os benefícios da IA sejam evidentes em setores estratégicos como a produtividade industrial e a eficiência dos serviços públicos, a comunidade internacional precisa enfrentar de frente os riscos severos associados à falta de uma regulação do ambiente digital robusta. Sem diretrizes claras, o uso indevido dessas plataformas pode aprofundar crises globais.
Práticas nefastas e a necessidade de responsabilização das Big Techs
Em sua intervenção perante os líderes das maiores economias industrializadas, o presidente brasileiro alertou para a proliferação de dinâmicas altamente prejudiciais que ganharam escala e reforçam a urgência da regulação do ambiente digital. Entre as principais ameaças elencadas, destacam-se o emprego militar de armas autônomas, a disseminação massiva de discursos de ódio, campanhas coordenadas de desinformação, crimes de pedofilia e a manipulação criminosa de imagens de mulheres e crianças para fins de pornografia.

Também foi pautado o crescimento da violência de gênero online contra mulheres e meninas, além da crescente precarização do mercado de trabalho impulsionada pela automação desmedida. Diante desse cenário complexo, o mandatário enfatizou que o engajamento e a responsabilização direta das grandes empresas de tecnologia — as chamadas big techs — são passos indispensáveis vinculados à regulação do ambiente digital para construir um futuro seguro, ético e totalmente alinhado aos interesses públicos da sociedade global.
Estatísticas alarmantes e marcos legais de proteção à juventude
Para embasar a urgência de uma resposta coordenada, o governo brasileiro apresentou dados estatísticos emitidos por órgãos de relevância internacional e defendeu marcos regulatórios rigorosos. Ao detalhar as ações domésticas adotadas no Brasil no campo da regulação do ambiente digital, destacou-se o pioneirismo do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), instrumento jurídico que fixa obrigações rígidas para as companhias que operam serviços digitais voltados ao público infantil.
| Pilares do ECA Digital | Diretrizes de Proteção | Impacto na Prática |
| Responsabilidade Civil | Multas pesadas para plataformas que lucram com dados de menores. | Ambientes virtuais mais seguros e auditáveis. |
| Combate a Crimes | Força-tarefa integrada para remoção imediata de conteúdos ilícitos. | Redução drástica da impunidade no ambiente online. |
| Transparência de Algoritmos | Auditoria pública sobre sistemas de recomendação voltados a crianças. | Fim da superexposição a conteúdos viciantes ou nocivos. |
Estamos garantindo que nossas crianças e adolescentes possam estar online em segurança por meio da regulação do ambiente digital. Estamos dando um basta aos criminosos que ameaçam a integridade física e mental de nossas crianças e adolescentes, destacou o pronunciamento oficial do governo brasileiro na França.
Soberania digital, desigualdade e o papel central da Organização das Nações Unidas
O debate na França também lançou um forte alerta para o risco de a inteligência artificial aprofundar as assimetrias globais se a regulação do ambiente digital for negligenciada pelos blocos econômicos. Pontuou-se o paradoxo contemporâneo em que grandes corporações alcançam um valor de mercado equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) de nações inteiras, enquanto bilhões de cidadãos sequer possuem acesso básico à internet.
O Brasil defendeu formalmente que as nações em desenvolvimento tenham suas soberanias respeitadas, assegurando que os benefícios econômicos gerados a partir dos dados locais fiquem retidos nas próprias sociedades. A infraestrutura pública tecnológica foi apontada como um ativo estratégico, essencial para ampliar a capacidade do Estado de incluir, conectar e servir à população por meio de políticas eficientes ancoradas na regulação do ambiente digital.
Por fim, ao tratar da arquitetura desse ecossistema, reiterou-se a defesa intransigente do multilateralismo, sublinhando que nenhum fórum ou comitê restrito substitui a universalidade da Organização das Nações Unidas (ONU). A meta é uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias de cada nação e use a tecnologia para fortalecer a democracia. Os desdobramentos práticos dessas negociações sobre a regulação do ambiente digital terão continuidade em julho de 2026, durante o encontro oficial promovido pela União Internacional de Telecomunicações, em Genebra, na Suíça.
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