Caso de Ebola: A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informou oficialmente o descarte do segundo caso suspeito de Ebola registrado em território paulista no decorrer deste ano. A confirmação veio após exames laboratoriais de alta precisão, realizados pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL), apresentarem resultados negativos para a presença do material genético do vírus em duas amostras biológicas coletadas em momentos distintos da evolução clínica da paciente.
A suspeita havia sido notificada após uma cidadã brasileira de 31 anos dar entrada em um hospital particular da capital paulista manifestando episódios de febre e diarreia. Como a paciente possuía um histórico de viagem recente à República Democrática do Congo (RDC) — nação africana que enfrenta áreas com transmissão ativa da enfermidade —, os protocolos internacionais de biossegurança foram imediatamente acionados. Ela foi transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER), onde segue internada com quadro de saúde estável e recebendo tratamento para gastroenterocolite aguda.

Protocolo Rigoroso de Coleta e Biologia Molecular
O processo de diagnóstico conduzido pelo Instituto Adolfo Lutz seguiu estritamente as diretrizes de segurança da Organização Mundial da Saúde (OMS). A metodologia aplicada envolveu técnicas avançadas de biologia molecular, como o RT-qPCR (reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa em tempo real) e o sequenciamento genômico completo.
Etapa do Protocolo de Diagnóstico Justificativa Técnica / Resultado
1ª Coleta (Antes de 72 horas) Realizada no início dos sintomas
2ª Coleta (Após a janela de 72h) Obrigatória para validação da OMS
Técnica de Análise Molecular RT-qPCR e Sequenciamento Genômico
Resultado Final Consolidado Negativo para o vírus Ebola
A diretora-geral do Instituto Adolfo Lutz, Adriana Bugno, esclareceu que uma única amostra coletada antes das primeiras 72 horas do início dos sintomas não possui segurança estatística para descartar a infecção. Por essa razão, a segunda coleta pós-janela biológica foi determinante para o arquivamento definitivo do caso.
Monitoramento Ativo e Casos Anteriores no Estado
Este foi o segundo alerta de segurança epidemiológica para a doença em São Paulo em um curto período. No dia 1º de junho, a pasta da Saúde já havia descartado o primeiro caso suspeito de Ebola do ano, identificado em um homem de 37 anos que também desembarcara no país vindo da República Democrática do Congo.
A detecção rápida e o isolamento preventivo de pacientes que atendem aos critérios clínicos e geográficos são fundamentais para conter riscos biológicos, conforme apontado por Regiane de Paula, coordenadora da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP:
“Casos suspeitos precisam ser identificados e investigados com rapidez, mesmo quando o risco de introdução da doença é muito baixo. Isso permite adotar as medidas de assistência e biossegurança desde o primeiro atendimento e concluir o diagnóstico de forma segura.”
Tanto a análise deste segundo caso quanto a do anterior foram coordenadas pelo Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” (CVE-SP) e imediatamente notificadas ao Ministério da Saúde e ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-SP).
Como Ocorre a Transmissão e Quais São os Sintomas?
A infecção pelo vírus Ebola apresenta um início súbito e agressivo. De acordo com os manuais de saúde pública, os principais sintomas associados são:
- Febre alta de início abrupto e calafrios;
- Dor de cabeça intensa, dores musculares (mialgia) e fadiga extrema;
- Náuseas, episódios de vômito e dor abdominal aguda;
- Diarreia e, em quadros severos, manifestações hemorrágicas internas e externas, evolução para choque e falência múltipla de órgãos.
A Vigilância Epidemiológica reforça que o vírus Ebola não é transmitido por via respiratória (como o ar ou gotículas de saliva). O contágio só se inicia após o surgimento dos sintomas clínicos e ocorre exclusivamente por meio do contato direto com sangue, secreções, tecidos corporais ou fluidos de indivíduos infectados. Não há qualquer risco de transmissão durante o período de incubação do vírus.
Intensificação dos Treinamentos e Risco no Brasil
Embora a Nota Informativa Conjunta da SES-SP reitere que o risco de introdução e circulação do vírus Ebola no Brasil e em toda a América do Sul permaneça classificado como muito baixo, o Estado de São Paulo decidiu elevar o nível de preparação de suas equipes de saúde.
Entre os dias 8 e 9 de junho, o CVE-SP promoveu uma capacitação em massa que treinou mais de 1,1 mil médicos, enfermeiros e técnicos de saúde por meio da webconferência “Doença pelo Vírus Ebola: informação que protege, vigilância que salva”. O treinamento, que detalhou fluxos de atendimento, biossegurança nos hospitais e manejo de contatos, foi disponibilizado na plataforma do YouTube para consulta pública.
A secretaria também relembrou que, até o momento, a ciência médica internacional não dispõe de vacinas com licenciamento comercial ou terapias antivirais específicas aprovadas para o combate à variante Bundibugyo do vírus, tornando os protocolos de contenção e a vigilância ativa as principais armas de proteção coletiva.
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